Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Desastres climáticos são a principal causa de deslocamento no mundo

Novo relatório da Oxfam revela que 20 milhões de pessoas deixam suas casas por ano para fugir de tempestades, secas ou inundações.

04/12/2019 Tempo de leitura: 2 minutos
 

Desastres climáticos causam deslocamento de cerca de 20 milhões de pessoas todos os anos, revela o relatório “Obrigados a deixarem suas casas”, lançado pela Oxfam esta semana.

Segundo a publicação, é três vezes mais provável que alguém seja forçado a deixar sua casa por ciclones, inundações ou incêndios florestais do que por conflitos armados, e até sete vezes mais do que por terremotos ou erupções vulcânicas.

Tempestades intensas, secas prolongadas, inundações, aumento do nível do mar, ciclones e incêndios florestais estão afetando principalmente a vida de pessoas mais vulneráveis.

Embora ninguém esteja imune aos desastres, as pessoas que vivem em países mais pobres – especialmente as mulheres – estão em maior risco. Elas costumam viver em áreas rurais com infraestrutura precária e acesso limitado a serviços de saúde e educação.

As mulheres são as mais vulneráveis

Em muitos casos, essas mulheres dependem da agricultura ou da pesca, e é improvável que tenham recursos financeiros guardados para ajudá-las a reconstruir seus meios de subsistência após uma emergência. Quando as colheitas são destruídas e o gado morre, elas têm pouca escolha a não ser abandonar suas terras ancestrais e migrar para sobreviver.

Muitas vezes, as mulheres são as últimas a sair quando o clima mais extremo torna mais difícil para as famílias colocarem comida na mesa. Elas ficam em casa cuidando de seus filhos ou parentes doentes, enquanto os homens partem – às vezes por dias – em busca de qualquer renda ou alimento, tornando-se os únicos que sustentam a família e, consequentemente, enfrentam mais dificuldades.

E assim, quando mulheres e crianças são forçadas a sair de casa por conta de desastres climáticos e encontrar abrigo em campos de refugiados, elas enfrentam condições inseguras de vida, tornando-as mais vulneráveis ​​à violência e aos abusos.

Migrantes climáticos: vozes do campo

O deslocamento provocado por desastres climáticos tem muitas faces e acontece em todos os lugares. Amina Ibrahim da Etiópia é uma dessas pessoas que suportam o impacto das mudanças climáticas e lutam todos os dias para ter um futuro.

As famílias de pastores no Chifre de África estão sofrendo uma seca severa, após uma série de secas intensas que atingiram a região em 2011 e 2017. Muitas delas dependem de ajuda humanitária para sobreviver.

Amina Ibrahim, 50, fugiu de sua casa em Qararo em 2017 com seus 12 filhos, depois que seus animais morreram e um surto de diarreia transmitida pela água (provavelmente cólera) começou a matar pessoas.

Desde então, elas vivem em um abrigo improvisado em Gunagado, onde a Oxfam, junto com outras organizações e o governo etíope, a ajudam com água potável, comida, latrinas, recursos financeiros e itens de higiene.

Mais de 5 milhões de pessoas tiveram que sair de suas casas na Etiópia por causa de uma severa seca que atinge a região.

Conferência do clima em Madri

Enquanto os desastres climáticos causam deslocamento, a comunidade internacional segue relutando em apoiar financeiramente os países mais pobres a enfrentar a crise climática.

Este mês está sendo realizada em Madri (Espanha) a Conferência do Clima da ONU (COP 25) e as discussões sobre redução de emissões de gases do efeito estufa e estabelecimento de um fundo internacional de apoio aos países mais vulneráveis continuam sem definição.

Enquanto eles falam, milhões de pessoas sofrem. A hora de agir já passou há tempos. Quando será que entenderão isso?

Notícias Relacionadas:
imagem do banner
Cadastre-se
Receba nossa newsletter
 

A Oxfam Brasil utiliza cookies para melhorar a sua experiência

Ao continuar navegando na nossa página, você autoriza o uso de cookies pelo site.