Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Empresas precisam fazer mais para garantir direito à terra

Análises sobre Coca-Cola e Pepsico foram apresentadas na Conferência do Banco Mundial sobre Terras e Pobreza

29/03/2017 Tempo de leitura: 2 minutos
 

As empresas Coca-Cola e PepsiCo avançaram nos esforços contra a apropriação indevida de terras no Brasil por parte de seus fornecedores de açúcar, mas ainda precisam fazer mais para minimizar os impactos de suas cadeias produtivas. O assunto foi debatido em reunião do Banco Mundial realizada em Washington, no último dia 24, que teve como base estudos realizados pela Oxfam.

A origem do debate está em documentos apresentados pela Oxfam em 2013, na campanha Por trás das marcas, que denunciavam apropriações injustas de terra no setor de cana-de-açúcar no Brasil entre empresas fornecedoras da Coca-Cola e da PepsiCo. Também apontavam para os impactos devastadores dessas apropriações nas comunidades, afetando, em especial, as mulheres.

As denúncias feitas pela Oxfam nos últimos anos impulsionaram campanhas em todo o mundo exigindo que empresas multinacionais impeçam que comunidades inteiras sejam forçadas a deixar suas casas para dar lugar a grandes plantações. No Brasil, as duas gigantes do setor de bebidas se comprometeram a analisar suas cadeias produtivas e a ter de tolerância zero para apropriação indevida de terras.

No último ano, a Oxfam contratou o especialista em agronegócio John Wilkinson, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) para conduzir uma análise independente sobre os reais esforços das empresas no Brasil. As conclusões, apresentadas da Conferência do Banco Mundial sobre Terras e Pobreza, mostram que, embora as duas companhias assumindo o compromisso de melhorar e monitorar suas cadeias produtivas, os programas e as ações precisam de melhorias.

Direito à terra

O acesso à terra é crucial para pequenos agricultores e povos indígenas em todo o mundo, mas a maioria que vive em países em desenvolvimento sobre com a falta de estrutura que garantam que seus direitos sejam respeitados. Nesses países, os governos tendem a encorajar o investimento privado, gerando tensão entre investidores e os donos das terras.

“Há casos bem documentados de empresas expulsando à força comunidades, incendiando casas ou passando o trator por cima de plantações para liberar a terra para produção de commodities. Quando as empresas não lidam com esses conflitos adequadamente, eles podem levar a consequências violentas como o assassinato de Berta Cáceres em Honduras”, aponta o relatório da Oxfam.

Ainda segundo o estudo, as empresas Coca-Cola e PepsiCo escolheram diferentes formas de monitorar suas cadeias produtivas no Brasil. A Coca-Cola conduziu um estudo sobre direito à terra e trabalhos infantil e forçado. Também se comprometeu a conduzir outros 28 estudos até 2020, com o objetivo de formar um novo banco de dados sobre seus fornecedores.

A PespiCo, inicialmente, decidiu conduzir auditorias para avaliar impactos sociais, ambientais e de direitos humanos. Os resultados publicados, segundo o avaliador, foram insuficientes e pouco transparentes para saber se a empresa realmente tem se esforçado em mudar a situação denunciada.

*Com informações de Daily Mail

Veja também: Direito à terra e as gigantes do refrigerante

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