Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Agência Pública e Oxfam Brasil oferecem bolsas para reportagens sobre fome

 

O número de pessoas em situação de extrema pobreza voltou a crescer entre 2015 e 2017, e com isso o fantasma da fome volta a assombrar o Brasil. E pior: não há perspectiva de melhora no curto e médio prazos, devido ao corte de gastos sociais promovido pela Lei de Teto dos Gastos (EC 95), que limita o investimento do governo em políticas e ações de enfrentamento à fome e à pobreza.

Para investigar o assunto e oferecer subsídios à discussão de como enfrentar os problemas que voltam a assustar milhões de brasileiros, a Oxfam Brasil e a Agência Pública lançam nesta segunda-feira (20/8) oconcurso Microbolsas Fome, para a produção de reportagens investigativas sobre o tema. O prazo de inscrição aos candidatos termina no dia 21 de setembro. Quatro propostas serão escolhidas como vencedoras receberão R$ 7 mil e uma mentoria da Agência Pública para a produção das reportagens.

Para se inscrever, preencha este formulário.

relatório A Distância Que Nos Une, que a Oxfam Brasil lançou em setembro de 2017, revela como as muitas desigualdades brasileiras – de renda, riqueza, raça e gênero – se relacionam com a distribuição de serviços básicos e têm impacto na Saúde, na Educação e renda familiar da população. Quanto mais desigual for o país, menos pessoas conseguem sair do ciclo da pobreza – principalmente em tempos de crise econômica como a que vivemos.

Pautas detalhadas

As pautas propostas devem ser detalhadas, com os interessados sendo obrigados a apresentarem a pré-apuração, um plano de trabalho e orçamento. Serão aceitas propostas de reportagens escritas, em vídeo, áudio ou multimídia, desde que sejam investigativas. Leia aqui a íntegra do regulamento.

“Um relatório produzido por mais de 20 organizações da sociedade civil, de julho do ano passado, mostra que a pobreza e a fome voltaram a crescer entre 2015 e 2017, sem perspectiva de melhoria devido aos cortes promovidos pela lei do Teto de Gastos. É inaceitável a postura das autoridades de ignorar essa realidade e não tomar providências para combater a fome em um país rico em recursos para a produção de alimentos como o nosso” diz Marina Amaral, co-diretora da Agência Pública.

O objetivo do concurso é produzir informações bem apuradas e relevantes sobre a situação da fome no Brasil sob diferentes pontos de vista.

“É inaceitável a desigualdade e o sofrimento humano que vemos em um sistema de produção de alimentos que gera muita riqueza. Temos diferentes atores que são responsáveis por isso: o governo, com os cortes que faz em políticas de combate à fome e apoio à agricultura familiar; e as grandes empresas, que se apropriam da maior parte da riqueza gerada, empurrando agricultores e trabalhadores para a pobreza, e deixando milhões de pessoas sem acesso a alimentos saudáveis”, afirma Gustavo Ferroni, assessor sênior de Política e Incidência da Oxfam Brasil.

A Agência Pública e a Oxfam Brasil vão definir em conjunto as quatro pautas vencedoras. As reportagens serão editadas pela Pública, que vai acompanhar os repórteres durante a realização da pauta, editar, publicar e distribuir o conteúdo para seus parceiros republicadores.

 

Desigualdade social será desafio para o próximo governo

O Brasil é o décimo país mais desigual do mundo, com um sistema tributário que penaliza os mais pobres e problemas sociais estruturantes. Nesse cenário, a necessidade de se pensar em políticas públicas efetivas para a redistribuição de renda será um desafio para qualquer que seja o próximo governo. Em entrevista concedida nesta segunda (13/8) para a rádio CBN, Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam, falou sobre essa questão.

Rafael mencionou alguns dos dados apresentados no relatório A Distância que nos Une, lançado pela Oxfam Brasil em setembro de 2017: apenas seis pessoas possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres, os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95%, uma trabalhadora que ganha um salário mínimo por mês levará 19 anos para receber o equivalente aos rendimentos de um super-rico em um único mês.

Leia abaixo a íntegra da entrevista (para ouvi-la, clique aqui):

Levando em consideração os trabalhos que a própria Oxfam Brasil faz dentro do tema da desigualdade social, o que as pesquisas de vocês mostram do tamanho do buraco que nós temos no Brasil entre as pessoas?
– Hoje, uma pessoa que ganha um salário mínimo levaria 19 anos trabalhando para ganhar o que o 0,1% mais rico ganha em um mês. O Brasil é o décimo país mais desigual do mundo, segundo o

último levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e, ao mesmo tempo, é uma das dez maiores economias do planeta. Nosso PIB per capita não é tão alto, ele é baixo quando a gente compara, por exemplo, com países da  Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que mostra que a gente ainda tem sim o desafio de crescimento. Mas hoje essa encruzilhada que as eleições nos coloca, esse crescimento tem que ser pensado com redistribuição. A ideia de que tem que crescer o bolo para depois repartir já está vencida. Ou a gente cresce redistribuindo ou a nossa economia fica frágil e a gente sai e mergulha na pobreza de tempos em tempos e nesse momento estamos vivendo justamente isso.

A raiz dessa desigualdade está onde?
– O Brasil foi o último país a acabar com a escravidão, nunca fizemos uma reforma agrária de fato, como foi feita em países europeus, mas, de maneira mais imediata,  existem várias decisões política que foram tomadas ao longo das última décadas que mantêm as desigualdades estruturantes. Por exemplo, o sistema tributário reforça muita desigualdade no país. O gasto social melhorou muito, mas ainda não está em níveis necessários para vencer a distância que separa ricos e pobres. Existe o racismo estruturante no Brasil. Eu diria que essas três, mais a discriminação contra mulheres, de maneira mais imediata, têm mantido essa distância entre grupos sociais no Brasil.

Quase todas as candidaturas, quando falam em desigualdades sociais no país, apontam algo que já existe, que é o Bolsa Família. A proposta é manter o Bolsa Família, alguns falam em porta de saída para o programa. O que é preciso agregar em proposta para o Bolsa Família?

– O Bolsa Família é um programa fundamental para o Brasil, ele tem que ser mantido, como programas de transferência condicionada são desenvolvidos em vários países. Mas, de fato, como você disse, ele não é o que vai promover mobilidade social, ele vai tirar as pessoas de uma condição de extrema pobreza e o que promove mobilidade são políticas estruturantes de mais longo prazo. Por exemplo, as políticas educacionais. O Brasil hoje investe cerca de 6% do PIB em Educação. Ao mesmo tempo que esse não é um número baixo, comparado a países desenvolvidos, a gente precisa expandir. Ainda tem, por exemplo, muitas escolas em situação precária de infraestrutura, faltam políticas mais modernas para formação de professores, aumento da progressividade, ou seja, que o gasto chegue em quem mais precisa primeiro. Essas são algumas das saídas que talvez deveriam ser mais discutidas no debate eleitoral. Com relação à política tributária, o Brasil tem hoje uma forma de tributação muito injusta, que recai de maneira mais forte sobre os mais pobres, e muito concentrada na tributação indireta, ou seja, dos produtos. Todos nós compramos produtos, seja pobre ou rico, e existe um limite em que a tributação indireta pode ser progressiva, ou seja, tributar mais os mais ricos. O ideal seria tributar mais renda e patrimônio. Essas são políticas estruturantes que vão muito além do Bolsa Família, que têm um custo baixo, um custo de R$ 30 bilhões, isso é 0,5% do PIB.

Você mencionou no gasto social, falou inclusive do quanto nós investimos em Educação. Qual é o problema com o nosso gasto social, é mais a quantidade ou a qualidade? É a maneira como esse dinheiro acaba sendo gerido na hora de se investir?
– Eu diria que é um pouco dos dois. O Brasil tem aumentado o gasto social recentemente, talvez nem tanto quanto a gente pense – existe às vezes uma dupla contagem de repasses que o Tesouro às vezes não consegue tirar. Mas o Brasil tem sim gastado mais. Existe uma necessidade de aumento da progressividade do gasto, ele precisa chegar primeiro em quem mais precisa. O Brasil é um dos poucos países na América Latina que ainda tem um Sistema Único de Saúde (SUS).

A gente às vezes subestima o valor de um sistema universal que atende a todos, inclusive a classe média que pode até não usar o hospital de emergência, mas certamente usa posto de vacinação, serviço da vigilância sanitária, tudo isso é o SUS. Então, é preciso valorizar o nosso gasto, aumento onde precisa e aumentar a progressividade, que significa aumentar a qualidade do gasto com políticas públicas mais modernas, com gestão mais competente dessas políticas.

Eu acrescentaria, porque temos historicamente no Brasil o assistencialismo, inclusive na política em época de eleição fala-se muito em programas assistencialistas. O Bolsa Família faz um corte em relação a isso. Tivemos embriões do Bolsa Família durante o governo Fernando Henrique Cardoso, mas de fato o Bolsa Família é um programa mais profundo e definitivo. Qual é o balanço que você faz do Bolsa Família nesse período? E quando se fala em porta de saída, o que seria essa porta de saída e se ela é eficiente para o Bolsa Família?
– O Brasil, desde 1976, reduziu o índice de Gini, que mede a distribuição de renda, 0,623 para 0,515 – não é mais tão grande. Nesse período, a redução da pobreza foi de 35% para 10%. Foram 28 milhões de pessoas, só considerando os últimos 15 anos, que foram tiradas da pobreza. O Bolsa Família não pode ser visto como um programa de mobilidade, então, quando se fala em porta de saída para o programa, na nossa visão, essa porta de saída são as políticas estruturantes que provocam mobilidade. São políticas educacionais, a garantia de oferta de saúde ainda pública. O Brasil é um país cuja população depende muito dos serviços públicos, a crise fiscal que a gente vive agora atinge sobretudo aqueles da base da pirâmide social. O desemprego provoca recessão econômica, faz com que as pessoas percam suas poucas rendas e, se você reduz a possibilidade do Estado oferecer serviços, a gente realmente diminuiu a condição de vida das pessoas drasticamente. Então, o Bolsa Família entra nessa rede de proteção, e ele é uma das políticas mais baratas. Nenhum outro programa foi tão estudado,  e dentre os que estudam o Bolsa Família, de qualquer corrente econômica, existe um consenso do valor que tem esse programa e do custo-benefício que ele oferece. A porta de saída é a discussão de políticas estruturantes, eu volto a bater nessa tecla, política educacional e políticas que garantam a oferta de emprego.

Brasil dá vexame em pesquisa sobre mobilidade social no mundo

Está cada vez mais difícil algúem nascer na pobreza e conseguir melhorar de vida, atingindo um padrão médio – chegar ao topo então, onde confraternizam-se os ricos, nem pensar. Foi o que constatou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 35 nações desenvolvidas e algumas outras convidadas, ao estudar a mobilidade social no mundo desde a década de 1990. Segundo reportagem da revista Carta Capital, a OCDE constatou que a distância entre ricos e pobres vem aumentando preocupantemente, principalmente a partir da crise financeira de 2008. No Brasil, a situação consegue ser um pouco pior: penúltimo lugar na lista de 30 países, exibe uma desigualdade social e econômica gritante.

De cada 10 filhos de famílias brasileiras miseráveis, 3,5 morrerão e somente um tem chance de chegar ao topo.

A reportagem revela ainda como os que estão no grupo do 1% mais rico do Brasil não se enxergam como tal, muitas vezes se considerando ‘apenas’ como classe média, e traz reflexões sobre como investimentos em saúde e educação, e uma boa reforma no sistema tributário brasileiro, que taxa mais o consumo do que a renda e propriedade, podem ajudar a reduzir drasticamente as desigualdades no país.

A gritante desigualdade brasileira tem sido tema constante do trabalho da Oxfam Brasil, porque a consideramos como um dos principais entraves ao pleno desenvolvimento do país e razão das muitas injustiças que atingem principalmente jovens e mulheres negras. Parte de nosso trabalho tem sido lançar relatórios, estudos e pesquisas que jogam luz sobre o problema e apresentam algumas soluções. Queremos com isso contribuir para o debate público sobre as desigualdades e a pobreza, e ficamos felizes em vez que três de nossos relatórios foram usados como fontes nessa reportagem da revista Carta Capital: A Distância Que Nos Une, sobre a desigualdade no Brasil, lançado em setembro do ano passado;Recompensem o Trabalho, Não a Riqueza, lançado em janeiro deste ano às vésperas da reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos; , e Hora de Mudar, lançado no último dia 21 de junho, sobre desigualdade e sofrimento humano na cadeia de fornecimento dos supermercados.

Trecho da reportagem:

Em janeiro, às vésperas de outro convescote da elite global em Davos, nos Alpes suíços, a Oxfam, uma rede 20 organizações atuante em 90 países, divulgou mais um relatório sobre concentração de renda no mundo. Com base em estudos do bancão Credit Suisse e de dados compilados pela revista Forbes, a Oxfam informou que havia 2.043 bilionários no mundo no ano passado, dos quais 43 eram brasileiros (12 a mais do que em 2016).

As fortunas nacionais tinham no pelotão de frente o empresário Jorge Paulo Leman, dono de 27 bilhões de dólares, e seus sócios de AmBev Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, o banqueiro Joseph Safra, o jovem Eduardo Saverin, do Facebook, a família Moreira Salles, do Itaú Unibanco, os irmãos Marinho, Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, trio das Organizações Globo.

Juntos, os cinco primeiros do ranking (Leman, Safra, Telles, Sicupira e Saverin) controlavam o mesmo que a metade mais pobre do País, 100 milhões de pessoas. Até 2016, eram seis, como Boulos disse à Jovem Pan.

Outro estudo da Oxfam sobre o Brasil, “A Distância Que nos Une”, de setembro de 2017, mostrava um exemplo um pouco mais concreto de concentração de riqueza no País. Na cidade de São Paulo, 25% de todos os imóveis registrados estão nas mãos de 1% dos proprietários, um total de 22,4 mil pessoas.

Quando se vê a mesma situação a partir do valor dos imóveis, a concentração é ainda maior. O 1% controla 45%, cada indivíduo do 1% possui, em média, 34 milhões de reais em imóveis. Um novo documento, divulgado na quinta-feira 21, trouxe mais uma ilustração. Esse documento mostra como os supermercados têm esmagado os pequenos produtores rurais fornecedores de comida vendida nas gôndolas.

Hoje em dia, de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo, um sai do Brasil. O preço desse produto encareceu mais de 50% nos supermercados norte-americanos e europeus desde a década de 1990, mas o valor recebido pelos camponeses brasileiros equivale a apenas 4% do preço final.

Leia aqui a íntegra da reportagem da revista Carta Capital.

Relatório da Oxfam Brasil inspira tema da próxima Bienal do Mercosul

Sempre que lançamentos um estudo ou pesquisa, ficamos na expectativa de saber como ele contribuirá para o debate público sobre as desigualdades no Brasil. Desde o lançamento de nosso primeiro relatório, A Distância Que nos Une, temos participado de inúmeras conferências, debates e seminários sobre o tema usando os dados compilados no documento, dando assim o justo e necessário destaque a uma das principais mazelas do país. Com isso esperamos não só ajudar a consolidar o debate público sobre o assunto mas também inspirar novas ações e iniciativas que possam levar a discussão adiante.

Iniciativas como a escolha do novo tema da próxima Bienal do Mercosul. Prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2020, a Bienal terá a mulher como tema central. A inspiração veio, segundo Gilberto Schwartsmann, presidente da Fundação Bienal, do relatório da Oxfam Brasil lançado em setembro de 2017, que trouxe dados sobre as desigualdades de oportunidades para mulheres e negros no Brasil, em comparação a homens brancos.

O relatório aponta, por exemplo, que apesar de terem escolaridade média superior à dos homens (8,4 anos de estudo contra 8, respectivamente), há uma enorme diferença salarial em favor dos homens. As mulheres com ensino médio completo ganham, em média, R$ 1.338 – 66% do que ganham os homens de mesma escolaridade (R$ 2.023). Na faixa de ensino superior completo, as mulheres ganham menos ainda – 63% do que ganham os homens como mesmo nível educacional (R$ 3.022 x R$ 4.812).

“Não só há discriminação negativa contra negros e mulheres dentro das mesmas faixas educacionais, mas também com as mesmas profissões. Negros e mulheres estão concentrados em carreiras com menor remuneração, e tendem a ganhar menos que brancos e homens mesmo nestas carreiras.”

BAIXE AQUI O RELATÓRIO

Fórum Internacional Tributário reúne especialistas nacionais e internacionais

Especialistas nacionais e internacionais estão reunidos esta semana em São Paulo para discutir modelos tributários europeus, asiáticos, americanos e do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Fórum Internacional Tributário SP18, realizado pela Anfip, Fenafisco e Sinafresp. O evento faz parte do projeto Reforma Tributária Solidária,que propõe um estudo aprofundado em busca de alternativas ao atual modelo brasileiro. A ideia é torná-lo mais justo, moderno e eficiente.

A programação do Fórum Internacional Tributário SP18 foi iniciada nesta segunda-feira (4/6) em São Paulo, com a apresentação do livro “A Reforma Tributária Necessária: diagnóstico e premissas” e dois painéis de debate:

– Sistema Tributário Europeu (França e Alemanha), com participação de Malka Guillot (Paris School of Economics, da França) e Katja Riezler (Macroeconomic Policy Institute, da Alemanha) – coordenação de Gonzalo Bérron, da Fundação Friedrich Ebert, e Marcelo Lettieri do Instituto de Justiça Fiscal como debatedor.

– Sistema Tributário Europeu (Dinamarca e Suécia), com participação de Michael Klitgaard (Danish Center for Welfare Studies/University of Southern Denmark, da Dinamarca) e Asa Hansson (School of Economics and Management/Lund University, da Suécia) – coordenação de Fatima Gondim, do Instituto de Justiça Fiscal, e Paulo Gil Introni, também do Instituto de Justiça Fiscal, como debatedor.

Na quarta-feira (6/6), nosso coordenador de Campanhas Rafael Georges coordenará o painel Tributação Internacional, Evasão e Paraísos Fiscais, que contará com as participações de Andres Knobel (Tax Justice Network) e Sol Picciotto (Law School/Lancaster University, da Inglaterra), tendo Clair Hickmann, do Instituto de Justiça Fiscal, como debatedora.

Veja aqui a programação completa do Fórum Internacional Tributário SP18.

O que temos hoje no Brasil reforça as desigualdades – efeito do sistema tributário brasileiro é, no geral, de aumentar a concentração de renda no país – ou no mínimo não alterar o quadro geral. A maioria dos países desenvolvidos já resolveu essa questão, que é uma das principais barreiras estruturais para a redução de desigualdades.

Apesar de nossa carga tributária bruta girar em 33% do PIB – nível similar ao dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), como mostra o Gráfico 10 (abaixo) – ela é mal distribuída, de modo que os mais pobres e a classe média pagam muito mais impostos proporcionalmente que pessoas com rendas muito altas. (Trecho do relatório A Distância que nos Une, que lançamos em setembro de 2017)

Leia aqui a íntegra de nosso relatório A Distância que Nos Une.

ENEM 2017: Oxfam Brasil tira dúvidas sobre desigualdades no país

Conversa online com nosso Coordenador de Campanhas teve como base dados do relatório A Distância Que Nos Une

O tema das desigualdades vem ganhando nos últimos anos mais e mais destaque nas provas de Vestibular e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Por ser transversal a diversos pontos e matérias, estar bem informado sobre o estado das desigualdades no Brasil (sociais, de renda, patrimônio, acesso a serviços essenciais, de raça e gênero) garante uma boa base para ir bem nessas provas – deste ano e dos próximos. Pensando nisso, a Oxfam Brasil preparou um conteúdo especial sobre desigualdades para ajudar o pessoal que tem o vestibular e o Enem pela frente. 

Criamos um simulado com oito questões sobre desigualdades no Brasil e fizemos um bate-papo online com o nosso Coordenador de Campanhas Rafael Georges, no qual ele apresentou dados e análises sobre a atual situação brasileira com base no relatório A Distância Que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras, que lançamentos em setembro passado

Baixe aqui o relatório.

Veja aqui a íntegra do webinar de Rafael Georges sobre desigualdades.

Mapa da Desigualdade 2017 revela os muitos contrastes de São Paulo

Relatório foi lançado pela Rede Nossa São Paulo

Em mais de metade dos 96 distritos de São Paulo não há sequer um equipamento ou espaço público de cultura para a população. Em 37 distritos não não há acervo de livros infanto-juvenis para as crianças. Em 33, não há leitos hospitalares. E, mais uma vez, 34 distritos apresentam os piores índices. Esses e muitos outros dados evidenciam as muitas desigualdades da maior cidade brasileira e fazem parte do novo Mapa da Desigualdade lançado nesta terça-feira (25/10)  pela Rede Nossa São Paulo. 

Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, avalia que as políticas dos governos que passaram pela cidade não têm conseguido enfrentar o problema da desigualdade: “não há uma mudança estrutural e significante nesse período”. Para Américo Sampaio, gestor de projetos, “infelizmente, a cidade é para quem pode pagar por ela”. 

O Mapa revela  ainda um dado preocupante: entre 2013 e 2016, houve melhora em 16 indicadores de desigualdade em São Paulo, piora em 12 e 1 ficou estagnado. No entanto, boa parte dessa ‘melhora’ se deve a retrocesso dos indicadores nos melhores distritos da cidade, e não avanços nos piores.

Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam Brasil, esteve presente ao evento e defendeu a urgência de uma reforma do sistema tributário onde os impostos sejam pagos em bases mais equitativas e não recaiam somente sobre a classe média e os mais pobres, bem como a priorização de gastos em equipamentos e serviços públicos para quem mais precisa. “As desigualdades em São Paulo são uma evidência do processo excludente de desenvolvimento brasileiro, que no seu processo de urbanização implantou, nas grandes cidades, as desigualdades nacionais”, afirmou.

Em setembro passado, a Oxfam Brasil lançou o relatório A Distância Que Nos Une apresentando dados sobre a desigualdade socioeconômica brasileira e os possíveis caminhos para resolvê-la. Na oportunidade, Katia Maia, diretora executiva daorganização, afirmou que as distâncias impostas pelas desigualdades só podem ser reduzidas em trabalho conjunto de toda a sociedade. “Precisamos falar sobre nossas desigualdades e os caminhos existentes para reduzí-las.”

Tanto o relatório da Oxfam Brasil como o da Rede Nossa São Paulo deixam claro que as desigualdades no Brasil afastam milhões de pessoas de seus direitos básicos e geram distorções inaceitáveis – além de perpetuar a discriminação social e racial. Segundo o Mapa da Desigualdade 2017, quanto mais distante do centro da cidade, mais negra é a população – e menos serviços são oferecidos. A idade média ao morrer de uma pessoa no bairro de Jardim Paulista, que fica numa área nobre da capital paulista, é de cerca de 80 anos. Enquanto isso, no Jardim Ângela, bairro mais pobre da região Sul, a média de idade ao morrer é de 56 – uma diferença de 24 anos. 

Baixe aqui o Mapa da Desigualdade 2017 de São Paulo.

Para acessar o relatório A Distância Que Nos Une, da Oxfam Brasil, clique aqui.

Novo relatório propõe debate público sobre as desigualdades no país

Lançamento foi realizado na última semana de setembro em São Paulo

O debate público sobre a redução das desigualdades no Brasil é urgente e necessário. Vivemos hoje uma situação insustentável e injusta. Por exemplo: uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês hoje teria que trabalhar 19 anos para receber o mesmo que um brasileiro que faz parte hoje do 0,1% mais rico do país. Mais de 16 milhões de brasileiros ainda vivem abaixo da linha da pobreza, apesar de todos os esforços feitos nos últimos anos para enfrentar o problema. Saímos recentemente do Mapa da Fome e retiramos milhões da miséria, mas os ricos continuaram concentrando riqueza. Está mais do que na hora de enfrentarmos a questão com seriedade, urgência e determinação. É o que propõe o novo relatório “A distância que nos une – um retrato das desigualdades brasileiras”, da Oxfam Brasil, lançado na última semana de setembro em São Paulo. O documento apresenta dados sobre a desigualdade socioeconômica brasileira e os caminhos possíveis para se ter um país mais justo e livre de tantos desequilíbrios sociais.

Veja aqui como foi o lançamento.

Baixe aqui o relatório A Distância que nos Une.

“Precisamos falar sobre nossas desigualdades e os caminhos existentes para reduzi-las”, afirmou Katia Maia, diretora da Oxfam Brasil, durante o lançamento do relatório. “A gente acredita que as distâncias só podem ser reduzidas em trabalho conjunto. Isso é o que nos une”, disse ela, lembrando que o Brasil conseguiu elevar a base da pirâmide social nas últimas décadas, mas em um ritmo ainda muito lento. “Atacar essa questão é responsabilidade de todos. Há inúmeras ideias e propostas circulando, algumas até formam consenso na sociedade. A única coisa que não se pode fazer é ignorar o problema e não fazer nada. Estamos juntos no mesmo barco.”

Para Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, trabalhar pela drástica redução das desigualdades no país é a missão mais nobre e mais importante que qualquer brasileiro poderia ter. “O quadro das desigualdades foi construído por todos nós brasileiros, e pode ser mudado também por todos nós. As desigualdades foram construídas, não são algo que sempre existiu”, disse ele, lembrando que os caminhos para conseguir um país mais justo e menos desigual são conhecidos e já testados por outros países. São eles: educação de qualidade, sistema tributário mais justo e ativa participação popular no sistema político.

Rafael Georges, coordenador de Campanhas da Oxfam Brasil e autor do relatório, acredita que toda a trajetória de redução de desigualdades que vinha sendo seguida desde a proclamação da Constituição de 1988 foi interrompida. “E agora estamos dando muitos passos para trás na garantia de direitos à população. Enquanto isso, a concentração de renda e patrimônio continua intocável. Se não enfrentarmos essa situação, vai ser ruim para todos no país – mas principalmente para quem pouco ou nada tem para se proteger”, afirma.

Com o relatório “A Distância Que Nos Une”, a Oxfam Brasil pretende contribuir e apresentar soluções ao debate sobre as desigualdades no Brasil, destacando que todas as pessoas, independentemente de sua classe social, sofrem as consequências. A desigualdade extrema gera conflito social, aumenta a violência e cria instabilidade política. “O Brasil só poderá dizer que é realmente um Estado democrático de direito se oferecer condições melhores para sua população. E isso não vem acontecendo”, “As desigualdades entre pobres e ricos, negros e brancos, mulheres e homens não são um problema de poucos, mas um problema de todos. Esta é a distância que nos une”, define Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil.

O evento contou com a participação de alguns convidados, como a poetisa Joy Thamires, que deu seu recado por meio de uma forte poesia, falando sobre uma das principais questões da desigualdade no Brasil: o racismo. “Não tem como falar de desigualdade sem falar de racismo”, disse Joy, que faz parte do Hub das Pretas de Recife, um projeto apoiado pela Oxfam Brasil.

Também fizeram boas reflexões durante o evento, tocando em pontos diversos da questão das desigualdades no Brasil: Marcelo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Danilo Miranda, diretor regional do Sesc; Cida Bento, coordenadora executiva do CEERT; e Nathalie Beghin, coordenadora da assessoria política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). 

Acompanhe em nossa página no Facebook a repercussão do lançamento do relatório.