Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Azedou para a Citrosuco: empresa volta para a ‘lista suja’ do trabalho escravo

A Citrosuco, uma das maiores produtoras e exportadoras brasileiras de suco de laranja, voltou à lista suja do trabalho escravo do Ministério do Trabalho esta semana depois de a Justiça do Trabalho derrubar uma liminar que a deixava fora do cadastro. Segundo reportagem publicada pela Repórter Brasil, a empresa foi autuada em 2013 por manter 26 trabalhadores em situação análoga à escravidão em dois laranjais em São Paulo.

“A fiscalização [do Ministério do Trabalho e do MPT] constatou que os 26 resgatados, migrantes nordestinos, sofriam restrições à liberdade de ir e vir e estavam sujeitos a condições degradantes de trabalho e moradia. Os trabalhadores relataram, na época, que chegaram à São Paulo com a promessa de que teriam bons salários e moradia, porém contraíram dívidas e viviam em alojamentos sem qualquer estrutura”, diz a reportagem.

A volta da Citrosuco à lista do trabalho escravo é uma vitória para todos que lutam para que nossa comida do dia-a-dia seja produzida sem sofrimento humano, de maneira mais justa e menos desigual, afirma Gustavo Ferroni, assessor sênior de Políticas e Incidências da Oxfam Brasil. “O suco de laranja brasileiro, apesar do sucesso que tem pelo mundo, é um dos exemplos de como a desigualdade é criada. Enquanto poucas empresas controlam o setor e os grandes supermercados ficam com a maior fatia do valor gerado, os trabalhadores e pequenos agricultores mal conseguem sobreviver e ficam sujeitos a situações degradantes de trabalho e violações de direitos.”

Em junho de 2018, lançamos o relatório Hora de Mudar, que propõe mudanças no modelo de negócio dos grandes supermercados, principalmente americanos e europeus, para dar maior transparência sobre a procedência dos alimentos e evitar que nossa comida seja produzida com sofrimento humano, pobreza, discriminação contra as mulheres, más condições de trabalho e salários de fome. Saiba mais sobre o estudo aqui.

Não deixe esse suco azedar! Assine nossa petição contra a desigualdade e o sofrimento humano nas cadeias de fornecimento dos supermercados.

https://www.youtube.com/watch?v=3oScJa1ar6Q
Desigualdade na comida: quem realmente lucra com a nossa laranja?

Toda comida que a gente consome é produzida por milhões de agricultores pelo mundo. Um trabalho que deveria ser cada vez mais celebrado e valorizado, mas a realidade é bem diferente. Conforme revelamos em nosso relatório Hora de Mudar, lançado em junho de 2018, quem tem ficado com fatias cada vez mais generosas do dinheiro gerado pela produção agrícola são os grandes supermercados, especialmente dos Estados Unidos e Europa, e outros gigantes da indústria alimentícia. Aos trabalhadores agrícolas, sobretudo os pequenos, sobram pobreza, sofrimento e péssimas condições de trabalho.

Vejamos o caso da laranja brasilera. Somos um dos maiores produtores de laranja do mundo – 3 de cada 5 copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no Brasil. Esse sucesso todo tem gerado muito lucro aos grandes supermercados e à indústria de suco, e pouco ou quase nada aos produtores.

Não deixe esse suco azedar! Assine a petição

A gente preparou o vídeo de animação abaixo para explicar melhor como isso vem acontecendo:

https://www.youtube.com/watch?v=3oScJa1ar6Q
Conheça os repórteres selecionados para investigar a volta da fome

A Oxfam Brasil e a Agência Pública lançaram no final de agosto o concurso Microbolsas Fome, que abriu inscrições para que repórteres de todo o país propusessem pautas sobre a volta da fome à realidade brasileira.
Foram mais de 80 propostas recebidas, vindas de 15 estados diferentes. Os vencedores foram definidos em conjunto pela Oxfam Brasil e pela Agência Pública. “Estamos felizes pelas mais de 80 propostas enviadas. Eram de altíssima qualidade. Acreditamos que as quatro escolhidas vão contribuir muito para o jornalismo comprometido com a defesa de direitos no país”, diz Gustavo Ferroni, assessor sênior de Políticas e Incidência da Oxfam Brasil.

Para a seleção, foram consideradas a originalidade das pautas e sua capacidade de revelar os impactos da volta da fome sob diferentes aspectos. “Além da qualidade das investigações propostas, recebemos inscrições de muitos jornalistas experientes, o que revela um grande interesse em cobrir este tema tão atual. O resultado reflete isso”, comenta Natalia Viana,  co-diretora da Pública.
Nos próximos meses, os repórteres selecionados vão trabalhar com os editores da Agência Pública para produzir as pautas propostas.

Conheça os vencedores:

Chico Felitti –  mestrando de escrita na Universidade Columbia, em Nova York. Trabalhou na Folha de S.Paulo, onde foi repórter, colunista e editor, por 10 anos. Colaborador da Piauí, da Galileu e da Revista Joyce Pascowitch, foi o autor do perfil de Ricardo Pereira, um artista de rua conhecido como Fofão da Augusta, publicado pelo Buzzfeed em 2017 e que vai virar livro pela editora Todavia em novembro de 2018.

Elvira Lobato – Jornalista, formada pela UFRJ, atuou na imprensa escrita por 39 anos, 27 deles na “Folha de S. Paulo”, onde fez parte do núcleo de repórteres especiais de 1992 a 2011, quando se aposentou do jornalismo diário para se dedicar a projetos pessoais. É autora do livro “Instinto de Repórter”, sobre seus métodos de investigação jornalística. Está no ranking de jornalistas mais premiados do Brasil. Recebeu, entre outros, o Prêmio Esso de Jornalismo, em 2008, pela reportagem sobre o patrimônio dos dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus. Em janeiro de 2016, publicou a reportagem “TVs da Amazônia Legal-Realidade que o Brasil Desconhece”. É co-fundadora do projeto multimídia Mulheres 50+ (www.mulheres50mais.com.br).
A reportagem será feita em equipe com Angelina Nunes, Ana Lúcia Araújo, Claudia Lima, Cristina Alves, Regina Eleutério e Raquel Almeid.

Hévilla Wanderley Fernandes – é graduada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem 29 anos. Após concluir o curso em 2012, iniciou a carreira no caderno Cidades do Jornal Correio da Paraíba. Em seguida, trabalhou na assessoria de imprensa do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e no Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNMP). Neste período, cobriu a votação da PEC 37, proposta que, se aprovada, daria exclusividade do poder de investigação criminal para as polícias federal e civis, retirando esta atribuição de alguns órgãos e, sobretudo, do Ministério Público. De 2014 até o início de 2018, trabalhou como repórter do GloboEsporte.com/pb, onde participou de diversas coberturas esportivas. Durante os anos de GloboEsporte.com, também fez algumas matérias especiais para o G1PB. Atualmente, trabalha na Associação Paraibana do Ministério Público (APMP), e faz mestrado em ciência política na UFPB, cuja pesquisa trata da autoafirmação da identidade nordestina através do futebol.

Júlia Dolce Ribeiro – Jornalista formada pela PUC-SP e estudante do curso Tecnólogo de Fotografia do Senac. Trabalha há três anos para o jornal Brasil de Fato, cobrindo economia, política e direitos humanos. Em 2017, trabalhou por 5 semanas no jornal palestino Alternative Information Center. Fará a pauta das Microbolsas em parceria com Rute Pina, jornalista formada pela PUC-SP e repórter do Brasil de Fato há mais de dois anos. Em 2015, integrou a 26ª turma de treinamento em jornalismo do Estadão. Tem interesse em Direitos Humanos, Política e Jornalismo de Dados.

Parabéns e bom trabalho aos repórteres!

 

Maior supermercado alemão só venderá bananas produzidas de maneira justa

Gol da Alemanha! A rede Lidl, maior supermercado alemão e terceiro da Europa, anunciou no final de setembro que suas lojas na Alemanha e Suíça só venderão bananas produzidas de acordo com regras de comércio justo (‘fairtrade’), o que significa uma exigência de melhores condições de trabalho e produção. A Lidl tem mais de 3 mil lojas na Alemanha e 100 na Suíça, de um total de mais de 10 mil estabelecimentos em toda a Europa e também nos Estados Unidos.

Parte das bananas consumidas pelos alemães são produzidas no Brasil. Em 2017, exportamos cerca de 20 toneladas para a Alemanha, país que é o 10o maior destino da banana brasileira. O maior destino das bananas brasileiras é o Uruguai, com mais de 21 mil toneladas, seguido da Argentina (16,5 mil toneladas).

“Apesar da exportação de banana para Alemanha não ser o destino mais relevante para o Brasil, a exigência de melhores condições de trabalho e produção pelo 3º maior supermercado europeu, o Lidl, pode trazer um impacto positivo para o setor como um todo”, afirma Gustavo Ferroni, coordenador de programas da Oxfam Brasil. Em junho de 2018 a Oxfam Brasil lançou o relatório Hora de Mudar que revela como os grandes supermercados do mundo lucram bilhões às custas de péssimas condições de trabalho, pobreza e sofrimento de milhões de homens e mulheres trabalhadores e agricultores em diversas partes do mundo.

A decisão da rede de supermercados Lidl de só comercializar bananas produzidas de maneira justa em suas lojas na Alemanha e Suíça é uma grande vitória para todos os trabalhadores e agricultores do setor, que em geral ficam com muito pouco do valor final do produto comercializado.

Por exemplo: trabalhadores da banana no Equador ficam apenas com 7,6% do valor final do produto que é vendido na Europa e nos Estados Unidos. Já os supermercados europeus e americanos ficam com quase 40% do valor.

Queremos que os supermercados mudem seu modelo de negócio para priorizar transparência sobre procedência dos alimentos e evitar que nossa comida seja produzida com sofrimento humano, pobreza e péssimas condições de trabalho. Você pode fazer a diferença! Assine nossa petição!

O QUE É QUE A BANANA TEM?

As bananas são produzidas predominantemente na Ásia, América Latina e África. Os maiores produtores são Índia (29 milhões de toneladas por ano, média entre 2010 e 2015), China (11 milhões de toneladas por ano) e Filipinas (9 milhões de toneladas por ano). O Brasil produziu 7 milhões de toneladas por ano, em média, no mesmo período.

 

O Brasil é o segundo país que mais consome banana per capita e um dos maiores produtores do mundo, mas a maior parte do que se produz no país é consumido internamente. O Brasil exporta pouca banana: é apenas o 46o. país em exportação.

 

A maior exportadora de bananas do mundo é a empresa Chiquitita, que foi comprada em 2017 pelas empresas brasileiras Cutrale e Banco Safra.

Clique aqui

(saiba mais sobre esse e outros dados sobre as muitas desigualdades na produção de alimentos no mundo em nosso relatório Hora de Mudar)

 

Grandes supermercados alimentam a desigualdade e sofrimento nas cadeias de fornecedores de alimentos

Os grandes supermercados do mundo estão lucrando bilhões ano após ano a um custo muito alto: péssimas condições de trabalho, pobreza e sofrimento para milhões de homens e mulheres trabalhadoras e agricultores em diversas partes do planeta. A situação é tão desesperadora que muitos dos que produzem nossos alimentos mal têm o que comer. É o que revela o novo relatório da Oxfam “Hora de Mudar – Desigualdade e sofrimento humano nas cadeias de fornecimento dos supermercados”, lançado nesta quinta-feira (21/6). O documento é a base de uma nova campanha global da organização, que cobra mudanças urgentes na distribuição dos ganhos deste segmento para melhorar a remuneração dos trabalhadores rurais e pequenos produtores, as condições de trabalho e a desigualdade de gênero na cadeia de fornecedores de alimentos na América Latina, África e Ásia.

Baixe aqui o relatório completo (versões em espanhol e inglês também disponíveis)

O relatório aponta que grandes redes de supermercados da Europa e Estados Unidos podem atuar decisivamente para mudar a situação de pobreza e más condições de trabalho de milhões de pessoas no mundo.

“O setor privado tem o potencial para tirar milhões de pessoas da pobreza, mas os grandes supermercados europeus e americanos estão acumulando riquezas sobre o trabalho degradante de homens e mulheres no campo”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. “Em muitos casos, devolver 1 ou 2% do preço de varejo – e isso pode significar alguns centavos apenas – poderia mudar a vida das milhares de pessoas que hoje produzem nosso alimento, mas mal têm o que comer.”

O Brasil foi um dos doze países incluídos no levantamento feito pela Oxfam para mostrar como a cadeia de produção se relaciona com a distribuição de alimentos e a exploração do trabalho.

“Os supermercados precisam enxergar sua responsabilidade sobre o que vem acontecendo no outro extremo de sua cadeia produtiva, onde estão trabalhadores e pequenos e médios produtores”, explica o assessor de políticas da Oxfam Brasil, Gustavo Ferroni. “Com o poder de compra que possuem, eles podem definir direta e indiretamente as condições de produção, exigindo – por exemplo – o compromisso de seus fornecedores para acabar com jornadas exaustivas, empregos informais, trabalho escravo e outras condições desumanas no campo”, acrescenta ele.

Por esse motivo, a nova campanha da Oxfam pressiona supermercados e governos de todo o mundo a atuarem com firmeza contra a precariedade do trabalho no campo, exigindo maior transparência sobre a procedência dos alimentos, fim da discriminação contra as mulheres e garantia de que agricultores e produtores recebam uma parcela mais justa do que é pago pelos consumidores no varejo.

Para a produção deste relatório foi contratada a consultoria de pesquisa Bureau for the Appraisal of Social Impacts for Citizen Information, que estudou a cadeia de 12 produtos de países em desenvolvimento que são vendidos nos supermercados europeus e norte-americanos: café (Colômbia), chá (Índia), cacau (Costa do Marfim), suco de laranja (Brasil), banana (Equador), uva (África do Sul), vagem (Quênia), tomate (Marrocos), abacate (Peru), arroz (Tailândia), camarão (Indonésia, Tailândia e Vietnã) e atum (Indonésia, Tailândia e Vietnã).

9 FATOS IMPORTANTES DO RELATÓRIO

  • Pequenos agricultores e trabalhadores rurais nas cadeias de fornecimento de 12 produtos básicos de supermercados sofrem para conseguirem sobreviver com a renda obtida. Para alguns produtos, como o chá indiano ou vagem queniana, a renda média é menos da metade do que seria considerado ideal para assegurar uma vida digna. A diferença entre uma renda mínima para se viver com dignidade e a renda recebida efetivamente é maior onde as mulheres são a maior parte da força de trabalho.
  • Seriam necessários mais de 4 mil anos para um trabalhador que atua no processamento de camarão na Indonésia ou Tailândia ganhar o mesmo que um típico executivo de um supermercado americano ganha em um ano.
  • Enquanto muitos trabalhadores rurais e pequenos agricultores vivem na pobreza, as oito maiores cadeias de supermercados de capital aberto geraram quase US$ 1 trilhão em vendas, US$ 22 bilhões em lucros e US$ 15 bilhões em dividendos a seus acionistas em 2016.