Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

A fome no Brasil é uma triste realidade

Um problema do passado voltou: o Brasil pode voltar ao Mapa da Fome depois de 5 anos. É o que sugere a série de reportagens sobre o tema, fruto de uma parceria da Oxfam Brasil e da Agência Pública que em 2018 ofereceu microbolsas para a produção das 7 reportagens. Foram mais de 80 propostas recebidas, vindas de 15 estados diferentes. A ação surgiu da percepção sobre o aumento do número de pessoas em situação de extrema pobreza entre 2015 e 2017.

Ainda que o país esteja fora do Mapa da Fome desde 2014, a fome ainda é uma realidade e os dados são alarmantes. O último relatório da FAO (agência da ONU para agricultura e segurança alimentar) aponta que no Brasil, 2,5% da população passou fome em 2017. Isso corresponde a 5,2 milhões de pessoas.

Como mostramos em nosso relatório País Estagnado, pela primeira vez nos últimos 15 anos, a redução da desigualdade de renda parou no Brasil. Em 2016 o espaço dedicado aos gastos sociais no orçamento federal retrocedeu 17 anos.

Veja algumas das informações relevadas nas reportagens:

Crise no Iêmen: famílias casam seus filhos pequenos para ter o que comer

Guerra, alta no preço dos alimentos e queda do poder de compra dos salários no Iêmen são elementos que estão levando pessoas a tomar medidas desesperadas para fugir da fome no país. Famílias da província de Amram, no norte do país, já foram forçadas a oferecer suas filhas em casamento – em um dos casos, uma menina de três anos – em troca de comida e abrigo, conforme relatos obtidos pela Oxfam no país.

A situação desesperadora dos iemenitas é um sério alerta para os governos de países ricos que estão em Genebra (Suíça) para discutir a crise humanitária do Iêmen, que já deixou quase 10 milhões de pessoas à beira da fome. Desde a ampliação do conflito, em 2015, o preço da comida no país disparou, ao mesmo tempo em que os salários diminuíram drasticamente – tudo isso faz com que o custo dos alimentos fique fora do alcance da população.

Casamento infantil

Pelos costumes do Iêmen, crianças não são obrigadas a consumar o casamento até os 11 anos de idade, mas são obrigadas a realizar trabalhos domésticos na casa do marido. É o caso de Hanan, de nove anos: ela costumava ir à escola mas, depois de ter sido oferecida em casamento, teve que abandonar os estudos.

“Minha sogra me bate, e quando fugi para casa do meu pai, ele me bateu de novo por fugir. Eu não quero me casar. Só queria ir para a escola.”

Os pais de Hanan, que também ofereceram a filha mais nova, de três anos, disseram saber que o casamento precoce é errado, mas acreditavam não ter escolha, já que o dinheiro do dote era a única forma de manter o resto da família com vida.

Para Musin Siddiguey, diretor da Oxfam no Iêmen à medida que a guerra no país vai se estendendo, a maneira como as pessoas lidam com a miséria se torna cada vez mais desesperada. “As famílias são obrigadas a tomar decisões que moldarão as vidas de suas crianças por décadas. Isso é resultado direto de uma catástrofe humanitária causada pelo homem, causada pela guerra. A comunidade internacional precisa fazer tudo o que estiver em seu alcance para encerrar o conflito e garantir que as pessoas tenham acesso a comida, água e medicamentos.”

Sem comida, sem água

O conflito no Iêmen forçou muitas famílias a fugir para áreas mais isoladas do país, sem infraestrutura básica, escolas, saneamento ou saúde pública. Sem dinheiro e com poucas oportunidades de trabalho, muitas famílias não podem comprar comida e consomem menos refeições diariamente – comendo apenas pão e chás -, fazem dívidas para comprar comida ou apelam à mendicância.

Famílias iemenitas podem ter até quinze membros, incluindo parentes mais velhos que necessitam de cuidado e atenção especiais – o que aumenta as despesas.

https://www.youtube.com/watch?v=ed5g8dEvAU0

Pesquisas conduzidas no fim de 2018 em Taiz, sul do Iêmen, entre famílias que receberam auxílio da Oxfam, revelaram que 99% dos adultos passaram a comer menos, para que sobrasse mais comida para as crianças. E 98% dos adultos diminuíram o número de refeições diárias. Mais da metade revelou ter pego comida emprestada de familiares ou amigos e quase dois terços afirmaram terem feito dívidas para comprar comida, remédios ou água.

Há uma semana, o governo do Iêmen e os rebeldes Houthis concordaram com a primeira fase de uma retirada de forças da cidade portuária de Hudaydah, após uma rodada de negociações na Suécia em dezembro. Os diálogos foram lentos e ainda não está claro qual impacto a medida terá.

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Fome e frio ameaçam meio milhão de pessoas no Iêmen

Mais de meio milhão de pessoas que se refugiram da guerra civil no Iêmen na cidade portuária de Hodeidah, estão sob dupla ameaça: fome e temperaturas congelantes. O inverno no Iêmen é extremamente rigoroso e em geral vem acompanhado de fortes chuvas, que causam inundações e deixam muitas pessoas desabrigadas. Boa parte das 530 mil pessoas abrigadas em Hodeidah estão vivendo em barracas improvisadas, sem proteção contra o frio. Agências humanitárias identificaram mais de 75 mil famílias vulneráveis em diversos distritos pelo país que vão precisar de ajudar para enfrentar os meses de inverno. Quase 3 mil dessas famílias estão em níveis catastróficos de fome. Para a ONU, o Iemên vive hoje a pior crise humanitária do mundo.

Há uma terceira ameaça iminente, que depende do respeito ao cessar-fogo negociado semana passada na Suécia. Apesar do acordo, houve confrontos e bombardeios aéreos nos últimos dias, que atrapalham os esforços de ajuda humanitária e tornam a vida da população ainda mais difícil.

A Oxfam está no país africano providenciando ajuda, incluindo água potável e dinheiro em espécie para que as pessoas possam comprar alimentos básicos.

https://www.youtube.com/watch?v=1ruXkTo9ubM

O intenso frio no país pode ser o golpe final para famílias que já lutam para sobreviver em meio à guerra e à fome, afirma Muhsin Siddiquey, diretor da Oxfam no Iemên. “Imagine tentar sobreviver a esse frio numa barraca, longe de casa, sem saber de onde virá sua próxima refeição – essa é a realidade de dezenas de milhares de famílias na região.”

“É fundamental que o cessar-fogo seja mantido para que a ajuda necessária alcance o máximo de pessoas possível este inverno”, afirma Siddiquey, acrescentando que a comunidade internacional não pode achar que os acordos fechados na Suécia vão resolver tudo. “Eles precisam manter a pressão sobre as partes envolvidas no conflito, para que baixem as armas e trabalhem por uma solução pacífica, que dê reais esperanças às pessoas no Iemên.”

Saiba mais sobre a situação no Iêmen e a atuação da Oxfam no país.