Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Influência e inovação digital na luta contra a violência machista

Ativistas feministas da América Latina, Europa e Africa participaram de evento em Madri (Espanha) na semana passada (de 26 a 28 de janeiro), a convite da Oxfam Intermón, para fortalecer alianças e redes entre as participantes e suas organizações contra a violência sexista.

As atividades desenvolvidas focaram na análise da revolução digital como oportunidade para desenvolver iniciativas de combate à violência sexista e táticas e estratégias conjuntas para fortalecer a luta do movimento feminista.

Larissa Santiago, coordenadora do site Blogueiras Negras, parceiro da Criola, organização que integra o programaJuventudes nas Cidades, foi a representante da Oxfam Brasil no encontro. “Foi bastante rico, criar uma rede de alerta internacional de feministas com diferentes origens, perspectivas e objetivos. Haviam também diferentes experiências no que se refere ao combate a violência de gênero online, desde denúncias até campanhas de conscientização. Eu saio com uma bagagem com muitas estratégias e com bastante inspiração pra continuar.” declarou.

O programa Juventudes nas Cidades visa aumentar a capacidade de mobilização e organização da sociedade civil, fortalecendo coletivos e movimentos de jovens que atuem para a superação das desigualdades sociais, de raça e gênero.

 

Guia Juventudes nas Cidades: instrumento de conhecimento e defesa de direitos

Um evento na sede do bloco Ilú Obá De Min com a participação do grupo Samba Negras em Marcha marcou o lançamento em dezembro do Guia Juventudes nas Cidades em São Paulo. O material também já foi lançado no Distrito Federal, Recife e Rio de Janeiro. 

A publicação, elaborada pela Oxfam Brasil em parceria com Ação Educativa, Ibase, Fase PE, Fase RJ, Inesc e Instituto Pólis, oferece material diverso para os jovens exercerem e defenderem seu direito à cidade. No guia, há informações sobre leis, políticas públicas e oportunidades profissionais e de formação gratuitas. A publicação é resultado de debates e oficinas com jovens de diferentes grupos e coletivos das quatro cidades do projeto. 

“O Guia Juventudes nas Cidades é importante porque expõe como as desigualdades afetam especificamente os jovens”, diz Ananda King, assessora de políticas e incidência da Oxfam Brasil. “Somos um dos países mais desiguais do mundo, como reforça nosso último relatório País Estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras. E a juventude, que compreende a faixa entre 15 e 29 anos, segundo o Estatuto da Juventude, está entre as principais vítimas do desemprego, do déficit educacional e da violência”, explica Ananda.

A juventude, diz Ananda, é acima de tudo um agente de mudança que apresenta para a sociedade novas formas de discutir os problemas gerados pelas desigualdades. “Os jovens nos provocam a pensar em novas soluções, com base naquilo que estão experimentando em suas realidades cotidianas. Observar e aprender com os jovens também significa contribuir para pensar em soluções maiores para o conjunto da sociedade brasileira.”

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Jovens da América Latina ainda consideram ‘normal’ a violência machista

A violência machista contra as mulheres da América Latina e Caribe está muito presente na vida dos jovens da região, a ponto de considerarem ‘normais’ situações como controlar a forma como as mulheres se vestem ou censurar suas fotos nas redes sociais. É o que revela o relatório Rompendo Padrões: Transformar imaginários e normas sociais para eliminar a violência contra as mulheres (resumo executivo em espanhol), publicado nesta quarta-feira (25/7) pela Oxfam após pesquisa com jovens de 15 a 25 anos de oito países – Bolívia, El Salvador, Colômbia, Cuba, Guatemala, Honduras, Nicarágua e República Dominicana.

O estudo mostra que a ideia do ‘amor romântico’ nocivo é a base de crenças que levam jovens a reproduzir desigualdades e justificar ou normalizar situações de violência machista. A partir da análise dos imaginários e normas sociais que reproduzem as violências machistas, o relatório indica novos caminhos para a igualdade de gênero e um mundo livre de violência.

– Seis entre cada 10 homens de 15 a 19 anos entrevistados pela Oxfam acredita que o ciúme é uma demonstração de amor.

– 65% dos homens entre 15 e 19 anos pensam que quando uma mulher diz ‘não’ para uma relação sexual, na realidade ela quer dizer ‘sim’.

– Sete entre 10 penam que a responsabilidade pelo assédio ou agressão sexual é das mulheres, devido à roupa que elas usam.

– 40% dos jovens homens pesquisados afirmaram que se uma mulher consumiu álcool, dá condições para um homem ter relações sexuais com ela, ainda que esteja inconsciente.

– 56% das mulheres e 48% dos homens entre 20 e 25 anos têm algum conhecido próximo que sofreu violência física ou sexual no último ano.

– 7 entre 10 jovens consideram a violência machista como um problema grave em seu país.

BAIXE AQUI O RELATÓRIO “ROMPENDO PADRÕES” – arquivo PDF, texto em espanhol.

Em quase todos os países da América Latina e Caribe houve avanços legislativos contra a violência e o feminicídio nos últimos anos, mas não o suficiente. A impunidade se alimenta da tendência a considerar ‘normal’ os atos de violência contra mulheres e meninas. A presença do machismo na música, literatura, filmes, relações familiares, amizades e casais, como algo que pode tolerar e, inclusive, que muitas vezes se celebra, tem consequências concretas e graves: 86% das mulheres e homens entre 20 e 25 anos entrevistados pela Oxfam acreditam que suas amizades não interviriam se um amigo agarra-se sua namorada.

“Os dados do relatório ‘Rompendo Padrões’ demonstram que o machismo é aceito e tolerado por muitos jovens da região, onde estão 14 dos 25 países do mundo com maior número de feminicídios. Isso indica a necessidade de atuação urgente. A normalização do machismo cotidiano muitas vezes termina com as piores consequências.

Prova disso são as 1.831 mulheres assassinadas em 2016 sem motivo outro que seu gênero, de acordo com dados da Cepal. Sabemos que isso pode e está mudando, e devemos apoiar os jovens nessa transformação para que vivam livres da violência de gênero”, afirma Damaris Ruiz, coordenadora de direitos das mulheres da Oxfam na América Latina e Caribe.