Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Debate Frutas Doces, Vidas AmargasO que há por trás das frutas: riqueza concentrada e perda de direitos

“O que há por trás das frutas que comemos?”. Essa foi a questão central do debate realizado no Dia Mundial da Alimentação (16/10), na livraria Tapera Taperá, em São Paulo, que reuniu pesquisadores, trabalhadores rurais e integrantes da Oxfam Brasil – organizadora do evento.

Antes do debate, foi exibido ao público o filme Frutas Doces, Vidas Amargas que mostra a dura realidade dos trabalhadores e trabalhadoras de cadeias de frutas no Nordeste. O filme é parte da campanha que a Oxfam Brasil lançou no último dia 10 de outubro juntamente com um relatório que traz os dados dos principais problemas enfrentados no campo.

Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, abriu o evento falando sobre a importância de se fazer esse diálogo no Dia Mundial da Alimentação: “O mundo produz alimentos suficientes para todas as pessoas, mas ainda tem 800 milhões de pessoas passando fome. Isso não é só pelo acesso, mas também pela forma como a cadeia alimentar é concentrada nas mãos de poucos”.

Quando se trata do contexto brasileiro, essa assimetria de poder é ainda mais forte. Em um contexto de crise econômica e desemprego, em que os direitos trabalhistas são ameaçados, é importante lembrar que quando se trata do trabalho rural, em muitos casos, esses direitos sequer são alcançados. Gustavo Ferroni, coordenador de Setor Privado e Direitos Humanos da Oxfam Brasil, comentou “Os direitos trabalhistas chegaram com 30 anos de atraso no campo”. A CLT foi criada em 1943, mas a lei que regulariza o trabalho rural chegou apenas em 1973.

Responsabilidade dos grandes supermercados brasileiros

Gustavo apresentou a campanha da Oxfam Brasil para pressionar os 3 maiores supermercados brasileiros, Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour, para que exijam dos grandes produtores condições dignas aos trabalhadores. Responsáveis por 43% da compra de frutas no Brasil, esses supermercados têm poder para exigir melhorias.

Jocelino Dantas, da FETARN, falou sobre a situação dos trabalhadores rurais do Rio Grande do Norte, em especial sobre os safristas, que vivem submetidos a péssimas condições de trabalho, sem acesso até a banheiros em alguns casos, e expostos a contaminação pelo uso de agrotóxicos. “Existe esse discurso de que a agricultura é o setor que mais gera empregos no país, mas será que nós estamos preparados para saber que tipo de emprego é esse?” questionou.

Queremos frutas com sabor de dignidade! Assine a petição!

Os baixos salários decorrentes desses contratos temporários também são uma grave questão no campo, como destacou Patricia Pelatieri do DIEESE. Apesar de receberem remuneração um pouco maior que um salário mínimo, o valor é diluído nos meses sem contrato e as famílias não conseguem se manter. “Em um setor tão rico como a agricultura essa riqueza precisa ser melhor distribuída”, pontuou. Patricia ainda reformou o papel de organizações como a Oxfam Brasil no apoio a esses trabalhadores “Os trabalhadores em condições tão desiguais, dificilmente conseguiriam sozinhos, por mais que se organizem, superar essa violência enorme que é a exploração do trabalho rural.”

A importância dos sindicatos rurais

José Manuel dos Santos, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (STTR) de Juazeiro destacou a importância dos sindicatos nas negociações com as grandes empresas produtoras para garantia dos direitos. “Após a reforma trabalhista pioraram as condições de trabalho no campo com o desmonte dos órgãos fiscalizadores” concluiu. Marcel Gomes da ONG Repórter Brasil finalizou falando sobre a responsabilidade das empresas da ponta nas cadeias produtivas. “Quando você reconhece os problemas, monitora e identifica as empresas, você coloca pressão pública sobre as empresas e ajuda a melhorar”.

Fairtrade elogia campanha da Oxfam que pede mais dignidade para trabalhadores rurais

Desde o último dia 10 de outubro, estamos com campanhas no Brasil e em outros países para mostrar a situação de trabalhadores de cadeias de fornecedores de grandes supermercados. No Brasil, o relatório Frutas Doces, Vidas Amargas mostra que muitos trabalhadores da cadeia de frutas do Rio Grande do Norte e Vale do São Francisco não têm renda suficiente para garantir uma vida digna, deixando-os entre os 20% mais pobres do país. Globalmente, a Oxfam também lançou estudos sobre os problemas existentes na produção de chá na Índia e na de batata doce produzida nos Estados Unidos.

As campanhas foram elogiadas nesta quarta-feira (16/10), Dia Mundial da Alimentação, pela importante certificadora Fairtrade Foundation, por meio de uma nota publicada na Inglaterra:

“A Fairtrade Foundation congratula o relatório da Oxfam, que convida todos os envolvidos a agir para combater as desigualdades e os abusos muito comuns que muitos agricultores e trabalhadores nos países em desenvolvimento enfrentam.”

Trecho do comunicado da FairTrade Foundation.

Tanto o relatório brasileiro como os outros materiais lançados pela Oxfam globalmente pedem às grandes redes de supermercados – no Brasil Carrefour, Pão de Açúcar e grupo Big (ex-Walmart) – que melhorem sua diligência devida nas cadeias de fornecimento, aumentando a transparência sobre essas cadeias e investindo em engajamentos com atores locais, como os sindicatos de trabalhadores rurais.

Nosso relatório Frutas Doces, Vidas Amargas mostra que a cadeia de frutas enfrenta problemas estruturais, como a baixa renda anual dos trabalhadores safristas, que os deixa em situação de pobreza, além de problemas pontuais que persistem, como más condições de trabalho.

Veja o relato de alguns trabalhadores:

Vídeo da campanha “Frutas Doces, Vidas Amargas”, da Oxfam Brasil.

Juntos podemos mostrar para os supermercados que eles precisam fazer mais.

Assine a petição e faça sua voz ser ouvida.

A FairTrade apoia esta abordagem da Oxfam na busca por melhores compromissos e práticas do supermercados:

“Apoiamos as principais recomendações da Oxfam aos supermercados para fortalecer a devida diligencia em direitos humanos, tomar ações específicas sobre riscos em direitos humanos e investir em ações sociais positivas. A escala do desafio é tão grande que, para alcançar a mudança necessária, será necessária uma mudança gradual nos preços pagos no nível da fazenda e um novo compromisso para combater os abusos dos direitos humanos.”

Trecho do comunicado da FairTrade Foundation.

Nossa campanha aborda a questão do salário digno, seguindo metodologia proposta pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). De acordo com nossos calculos, o valor pago em média para trabalhadores da uva, da manga e do melão estaria 44% abaixo do ideal. Ainda nas palavras da FairTrade: “O relatório da Oxfam mostra que, apesar das melhorias de todos os varejistas e outros envolvidos, muito mais precisa ser feito para garantir que alguns dos trabalhadores mais pobres da base de nossas cadeias de suprimentos obtenham um acordo melhor e mais justo.”

Um esforço coletivo é necessário e por isso os supermercados devem fazer sua parte e abrirem um diálogo construtivo sobre essas cadeias produtivas. Importantes organizações e especialistas estão se manifestando e apoaindo a campanha da Oxfam Brasil. Mas ainda não escutamos do Carrefour, do Pão de Açúcar e do Grupo Big que ações eles vão tomar.

Trabalhadores em plantação de manga na Bahia.Boas práticas empresariais melhoram condições de trabalho na fruticultura do Vale do São Francisco

*por Poliana Dallabrida, para a Oxfam Brasil

Nos sindicatos dos assalariados rurais de Petrolina e Juazeiro, as principais reinvindicações dos trabalhadores do setor das frutas estão relacionadas à melhoria de renda e a condições adequadas de trabalho. As duas cidades, localizadas no Vale do rio São Francisco, entre os estados de Pernambuco e Bahia, representam o principal polo de fruticultura irrigada do país. Uma mudança que começou há poucos anos uniu as reivindicações dos trabalhadores a um novo posicionamento do mercado, mais preocupado com as condições de trabalho em todos os elos da cadeia produtiva.

Além de cumprir os direitos básicos dos trabalhadores, como oferecer condições adequadas de trabalho no campo, algumas companhias vêm implementando boas práticas de forma espontânea. Transporte subsidiado, uniformes lavados na empresa, alimentação, ponto de descanso, creche e espaço destinado às trabalhadoras lactantes para amamentação são algumas dessas ações.

Uma das empresas que implementou alguns desses benefícios é a Agrivale, produtora de uvas de mesa em Petrolina. O transporte dos trabalhadores fica sob a responsabilidade da empresa, que também criou ponto de descanso e oferece cursos de qualificação técnica para os funcionários.

“Oferecemos um local seguro, respeitamos o direito deles e garantimos que, com isso, estejam satisfeitos em trabalhar aqui e também tenham satisfação em fazer com que as nossas uvas cheguem até os consumidores. Que eles se sintam parte desse trabalho”, afirma Arion Ferraz, administrador financeiro da Agrivale.

A companhia possui sete certificações de boas práticas. Dentre elas, o GRASP, protocolo de certificação do grupo Global GAP, uma das maiores certificadoras agrícolas do mundo. O GRASP é concedido às empresas que demonstram compromisso com o respeito aos trabalhadores.

“Para obtê-la, assumimos um compromisso: manter, em nossa equipe, um profissional especializado em salários bruto e mínimo, horas de trabalho, filiação sindical, práticas antidiscriminação, trabalho infantil, contratos de trabalho, férias e licença de maternidade, assistência médica, pensões/gratuidade e fundamentos das condições de trabalho no setor agrícola”, traz a empresa em seu site oficial.

Em busca da certificação

Alguns avanços nas condições de trabalho acontecem pela necessidade de se adequar às exigências do mercado internacional, que em muitos casos exige certificação em todas as etapas de produção. Outros, no entanto, se dão pelo amadurecimento da própria gestão do negócio.

Fabiano Gomes Ramos, sócio da Sweet Fruits, empresa produtora de mangas do Vale do São Francisco, afirma que as mudanças implementadas na empresa não são apenas para atender as exigências das certificadoras internacionais. “São as duas pontas: tanto nos adequarmos a algumas certificações internacionais, quanto pensarmos no bem-estar do funcionário”. A empresa de Petrolina oferece salários acima do piso salarial do setor e dá bônus por produtividade para os funcionários que trabalham na colheita dos frutos.

José Manoel dos Santos, diretor do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Juazeiro, afirma que os queixas dos trabalhadores são menores nas empresas que implementam boas práticas e possuem certificações. “A gente percebe que há uma diferença nas empresas certificadas. Eu acredito que seja pelo acompanhamento da certificadora. Quando vem o profissional que faz as exigências dos requisitos para que ela possa obter o selo, e faz o acompanhamento para que a empresa continue tendo aquele sele, as empresas consolidadas, de boa índole, investem e têm cuidados”.

No Brasil, o Instituto de Manejo e Certificação Ambiental e Agrícola (Imaflora) é uma das certificadoras autorizadas a auditar fazendas e conceder o selo Rainforest Alliance, um dos principais selos privados de certificação socioambiental. Luis Fernando Guedes Pinto, Gerente de Certificação Agrícola do Imaflora, explica que o movimento para certificação das condições de trabalho é recente na fruticultura e que não é possível afirmar que as mudanças por parte das empresas do setor se devam exclusivamente às exigências para obtenção de selos.

“Uma parte vem de uma exigência externa, onde quem exporta tem que garantir que faz as boas práticas sociais, ambientais, e os selos têm sido a forma de fazer essa garantia. É difícil afirmar se isso é resultado exclusivo da certificação. Pode ter um componente de trabalhadores conquistando seus direitos ou de empresários que, eventualmente, querem fazer a coisa certa. E uma parte vem de atender a própria lei brasileira”, afirma Luis Pinto.

Boas práticas x competitividade

Daniel Araújo Saldanha, diretor de Meio Ambiente e Saúde do Trabalhador do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Petrolina, avalia que ainda há uma resistência por parte do setor na implementação de boas práticas. A razão, segundo ele, é uma suposta perda de competividade no mercado.

“Já estivemos em uma empresa em que o encarregado disse: ‘Se nós fomos fornecer isso para o trabalhador, vamos falir. É melhor fechar as portas’. Eu disse o nome da outra empresa que a gente tinha visitado, o porte e o quanto os trabalhadores prezam a empresa. Ele teve que se calar, porque se uma empresa daquele porte, oferece cesta básica, vale-gás, R$ 300,00 a mais no salário, e está grande, está exportando, está ganhando muito dinheiro. Por que ele também não pode ganhar também?”, conta Saldanha.

Para o João Paulo Poppi, administrador da Sweet Fruits, oferecer boas condições de trabalho contribui para a produtividade. “Implantar melhores práticas não afeta a competitividade. Pelo contrário: a nossa produtividade é uma das maiores aqui no Vale do São Francisco e o nosso nível salarial é um dos melhores. Nós damos boas condições de trabalho e temos uma boa relação funcionário-empresa. Isso leva a mais produtividade maior. Os nossos funcionários estão satisfeitos”.

Silvio Caliani, sócio da Sweet Fruits, relativiza a relação entre oferecer boas condições de trabalho e a produtividade. “Não acho que é como uma receita de bolo. Não é você dar algumas coisas a mais e automaticamente tudo muda e se produz mais. É um conjunto: a empresa faz um pouco mais pelo grupo, e os funcionários fazem um pouco mais pela empresa. Uma coisa compensa a outra”.

Arion Ferraz avalia que a implementação de boas práticas pode não ter um retorno financeiro garantido, mas serve como um elemento de diferenciação da marca. “Garantir que você não usa determinados tipos de substâncias, que você está dentro daquilo que a legalidade permite e que você tem respeito pelos seus trabalhadores, pode até não fazer com que você ganhe mais dinheiro, mas o comprador vai te ver de outra forma, porque você está adotando uma série de iniciativas que os seus concorrentes não estão utilizando”, pontua Ferraz, da Agrivale.

Qualidade da mão de obra

Oferecer boas práticas tem consequência direta na qualidade da mão de obra, avalia Daniel Saldanha. “Você imagina pegar num cacho de uva com raiva? Um cacho de uva que precisa ser manuseado com cuidado, mas eu estou com ódio, estou com raiva porque o dinheiro não deu para nada, meus filhos não têm condições de fazer faculdade, meu botijão não vai dar para o final do mês. Eu não vou ter qualidade na mão de obra. Esses cachos não vão ter qualidade. Se você comparar quem oferece condição segura ao trabalhar com quem não oferece, tem uma diferença muito grande”.

João Paulo Poppi, da Sweet Fruits, conta que a empresa alterou a jornada dos funcionários do campo. Atualmente, os trabalhadores entram mais cedo e trabalham até às 11h, evitando o sol forte da tarde, típico dessa região do Nordeste brasileiro. “A gente mudou o horário de trabalho em comum acordo com os trabalhadores. Agora, eles almoçam em casa, com as suas famílias”, explica. “E isso [essa mudança] não é dinheiro: é um ajuste, é uma preocupação da empresa com o funcionário”.

Organização dos trabalhadores e diálogo com empresas

A organização sindical dá força aos trabalhadores, que podem negociar condições melhores de trabalho, avalia José Manoel dos Santos, do sindicato de Juazeiro. Esse movimento também faz com que as empresas se antecipem às solicitações e implementem boas práticas espontaneamente. “O que sempre destacamos é a organização que os trabalhadores têm. Nós temos campanhas salariais bastante transparentes, com a participação efetiva dos trabalhadores, e com um diálogo respeitoso com os empresários”, afirma ele.

Para Saldanha, do sindicato de Petrolina, o diálogo com os empresários é uma das chaves para a melhoria das condições de trabalho na região. “O nosso diálogo, hoje, não é de brigar, não é de ameaçar fazer uma denúncia, mas de dizer onde está o erro e pedir para corrigir. Porque nós queremos que a empresa cresça cada vez mais”.

Convenção Coletiva

A Convenção Coletiva de Trabalho dos trabalhadores rurais da fruticultura do Vale do São Francisco é uma das mais avançadas do setor no Brasil. Enquanto em outros polos de fruticultura ainda carecem de condições mínimas de trabalho, como a oferta de banheiros e refeitório nos campos, o polo de Petrolina e Juazeiro avança em outras frentes.

No texto da Convenção referente ao ano de 2019, as empresas se comprometem a instalar um “local destinado à guarda de crianças em idade de amamentação, quando existentes, na empresa, mais de 20 (vinte) mulheres maiores de 16 (dezesseis) anos, facultado o convênio com creches”. Assim, as mães trabalhadoras lactantes podem ter um espaço no local de trabalho para seguir amamentando.

Na Convenção, as empresas também se comprometem a não contratar trabalhadores safristas por um período inferior a 30 dias e a suspender as atividades nos campos quando há chuva, devido ao risco de contaminação por agrotóxicos. A aplicação de veneno, aliás, recebe atenção especial na Convenção.

Entre as cláusulas acordadas entre o sindicado e as empresas está a de que nenhum trabalhador pode exercer as atividades de manipulação e aplicação de herbicidas, pesticidas e agrotóxicos por um período superior a 6 meses, “só podendo retornar a estas tarefas após um intervalo de 03 (três) meses”. Além da obrigatoriedade do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados à função, a Convenção também estabelece o comprometimento das partes na realização de estudos sobre a segurança à saúde dos trabalhadores da atividade de fertirrigação, técnica que permite a aplicação de fertilizantes, adubo e água ao mesmo tempo.

Se no papel o cenário da fruticultura do Vale do São Francisco é de respeito aos direitos dos trabalhadores, a realidade ainda impõe limites a esses avanços. “A NR-31 fala praticamente o que a Convenção diz e vale para todo o país, mas ela é colocada em prática?”, questiona Daniel Saldanha. A Norma Regulamentadora 31 estabelece as diretrizes relacionadas a saúde e segurança do trabalho no campo.

Para Luis Fernando Guedes Pinto, Gerente de Certificação Agrícola do Imaflora, as certificações não devem ser vistas como substitutos dos mecanismos governamentais de fiscalização da aplicação de leis e normas, como a NR-31. “O que é muito claro é que neste contexto de enfraquecimento da governança pública, os mecanismos de governança privado passam a ser mais relevantes. A certificação fortalece que aquele ambiente é verificado por um ambiente externo, mas que não tem o papel de substituir o papel do Estado de garantir o cumprimento da lei e dos direitos”.

Trabalhadores de cadeias de frutas estão entre os 20% mais pobres do Brasil

Relatório da Oxfam Brasil, “Frutas Doces, Vidas Amargas”, revela que baixa renda, trabalho temporário e constante exposição a agrotóxicos impedem milhares de famílias de terem uma vida digna.

O Brasil é hoje o terceiro maior produtor de fruta do mundo e a região Nordeste se destaca como grande polo desse cultivo no país. As frutas que chegam à mesa de milhões de pessoas no Brasil e no exterior geram cerca de R$ 40 bilhões por ano, mas não garantem salários e condições dignas a grande parte dos trabalhadores e trabalhadoras que estão no campo plantando e colhendo. É o que revela o relatório “Frutas Doces, Vidas Amargas”, que estamos lançando nesta quinta-feira (10/10).

Pobreza, contaminação, condições degradantes de trabalho e desrespeito às mulheres são alguns dos muitos problemas que estão por trás das frutas brasileiras.

Segundo dados que levantamos em nossas investigações, trabalhadores e as trabalhadoras safristas que atuam nas cadeias de melão, uva e manga no Rio Grande do Norte e perímetro irrigado do Vale do rio São Francisco (Petrolina/Juazeiro) estão entre os 20% mais pobres da população brasileira. Além disso, vivem em constante ameaça de contaminação por agrotóxicos, trabalham muitas vezes sem as condições básicas necessárias e estão presos a um ciclo de pobreza, muitas vezes mal tendo o que comer.

“Nosso relatório revela o sofrimento de muitas famílias e as desigualdades na cadeia de produção e venda das frutas brasileiras, do campo aos supermercados”, afirma Gustavo Ferroni, coordenador de Setor Privado e Direitos Humanos da Oxfam Brasil e responsável pelo relatório “Frutas Doces, Vidas Amargas”.

Campanha pede para que supermercados façam a sua parte

Capa do relatório Frutas Doces, Vidas Amargas - a história dos trabalhadores por trás das frutas que comemos.

O relatório vem acompanhado de uma campanha para que as grandes redes brasileiras de supermercados – Carrefour, Pão de Açúcar e Big (ex-Wal Mart) – assumam sua responsabilidade pela situação dos trabalhadores nas cadeias de frutas no país.

Na página da campanha é possível assinar uma petição pedindo para que os supermercados liderem mudanças no setor, dando mais dignidade à vida das pessoas que trabalham no plantio, colheita e processamento de frutas.

Supermercados têm poder de negociação na cadeia de frutas

“Esses supermercados têm poder de negociação na cadeia da fruticultura brasileira e, por essa razão, podem exigir de seus fornecedores uma maior transparência em cada etapa da produção dos alimentos que vendem”, afirma Gustavo Ferroni.

Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil, lembra que a fruticultura é em geral celebrada como atividade emblemática do potencial do semiárido brasileiro, uma cadeia de produção moderna do país e geradora de milhares de empregos.

“Nosso relatório, entretanto, revela que ainda existem problemas graves que precisam ser enfrentados. As pessoas que estão colhendo as frutas que chegam às nossas mesas têm o direito a ter uma vida digna. E os supermercados têm o dever e a responsabilidade de ajudar a mudar esse preocupante cenário que estamos apontando”, afirma Katia.

Você pode ajudar a mudar essa situação. Assine nossa petição!  

A Oxfam Brasil analisou as cadeias de três frutas importantes no Nordeste – melão, uva e manga – e verificou que algumas práticas, como a discriminação de renda contra as mulheres no campo, a não garantia de proteção adequada contra contaminação por agrotóxicos, o trabalho temporário (os chamados ‘safristas’, que atuam por tempo limitado) e condições não adequadas – especialmente para as mulheres -, são responsáveis por impedir que muitas pessoas consigam superar a pobreza.

“O argumento de que qualquer emprego é melhor que nenhum emprego coloca sobre os trabalhadores o peso de aceitarem qualquer condição de trabalho e exime setores econômicos de suas responsabilidades. Isso não é justo. A cadeia das frutas gera riqueza e é necessário que essa riqueza seja mais bem distribuída.” afirma Katia Maia.

PRAZO PRORROGADO! Oxfam Brasil contrata Coordenador/a de Captação Institucional

Descrição do Cargo: Coordenador/a de Captação Institucional
Subordinado a: Gerente de Programas, Incidência e Campanhas
Funcionários subordinados a esse cargo: Nenhum
Responsabilidade orçamentária: Não
Tipo de contrato: CLT
Horário: 40 horas semanais
Salário: Enviar proposta salarial

A Oxfam Brasil promove o combate à discriminação de raça e gênero e quer ampliar a presença de pessoas negras, mulheres e LGBTQI+ na sua equipe.

Sobre a Oxfam Brasil
A Oxfam Brasil é uma organização da sociedade civil brasileira fundada em 2014 e tem como missão contribuir para a construção de um Brasil justo, sustentável e solidário que enfrente as causas da pobreza e das desigualdades. Trabalhamos com programas, pesquisa, incidência política e campanhas públicas. Sua atuação está baseada em evidências, na produção de dados confiáveis e na realidade da vida das pessoas mais afetadas pelas desigualdades e as situações de pobreza.

Para manter e ampliar seu trabalho, a Oxfam Brasil utiliza seus programas, pesquisas e campanhas de maneira estratégica para sensibilizar e convencer seus alvos e mobilizar apoiadores, mídia e a sociedade em geral. Para tanto, é preciso uma equipe multifacetada que atue de forma consistente com a visão e missão da organização.

A Oxfam Brasil é membro da confederação Oxfam, formada por 20 afiliadas, com presença em mais de 90 países no total.

Objetivo da Área
Ampliar a carteira de parcerias para o financiamento da operação da Oxfam Brasil, por meio da diversificação das fontes de financiamento, visando o cumprimento dos objetivos e resultados estabelecidos no planejamento estratégico da organização.

Objetivo do Cargo
Implementar a Estratégia de Captação Institucional da Oxfam Brasil.

Principais Responsabilidades:
• Liderar, em coordenação com a Gerência de Programas, Incidência e Campanhas, a criação e implementação de uma estratégia de captação institucional inovadora e ambiciosa com metas claramente articuladas.
• Pesquisar e compilar informações sobre fontes de financiamento nacionais e internacionais, conforme diretrizes de financiamento institucional da organização.
• Liderar e formular, em coordenação com a equipe de Programas, Incidência e Campanhas, a preparação e apresentação de propostas a potenciais financiadores.
• Analisar informações sobre o trabalho, bem como o contexto em que os programas são desenvolvidos, a fim de maximizar as oportunidades de financiamento dos programas.
• Liderar e apoiar, em coordenação com a Gerência de Programas e Incidência, as negociações internas e externas com doadores institucionais.
• Desenvolver e implementar o portfólio institucional de captação da Oxfam Brasil identificando oportunidades com a confederação Oxfam.
• Garantir que a Oxfam Brasil desenvolva relações fortes e dinâmicas com doadores institucionais.
• Desenvolver e implementar sistemas e processos eficazes para captação institucional e relacionamento com doadores.
• Elaborar os relatórios aos doadores em coordenação com a equipe de Programas, Incidência e Campanhas e a equipe de Operações.
• Elaborar os informativos aos doadores institucionais em coordenação com a equipe de Programas, Incidência e Campanhas.
• Desenvolver e diversificar a carteira de financiamento institucional da Oxfam Brasil, nos níveis nacional e internacional.

Habilidades e Competências:
Imprescindível

• Compromisso com os valores, a missão e os objetivos fundamentais da Oxfam Brasil, incluindo uma abordagem baseada em direitos e em respeito aos temas de gênero, raça/etnia e orientação sexual;

• Formação em curso superior;

• Experiência comprovada em captação (fundraising) institucional – agências bilaterais e multilaterais, fundações e institutos privados;

• Experiência comprovada na elaboração de propostas, informativos e relatórios;

• Habilidade para trabalhar efetivamente com outros para alcançar metas de arrecadação de fundos;

• É obrigatório a fluência em inglês (falar, ler e escrever);

• Conhecimento de espanhol será considerado um diferencial;

• Excelentes habilidades de comunicação – oral e escrita;

• Habilidade em pesquisa, análises e projeções.

Essencial

• Facilidade para trabalhar em equipe e em times matriciais;

• Capacidade de multitarefa e cumprimento de prazos;

• Visão estratégica e capacidade analítica;

• Capacidade para trabalhar sob pressão e com flexibilidade;

• Usuário do Pacote Office;

• Disponibilidade para viagens nacionais e internacionais.

ATENÇÃO: PRAZO PRORROGADO! CADASTRAR CV ATÉ 18/10/2019
Somente serão aceitas as inscrições feitas através do site do IPO – Instituto de Psicologia Organizacional.

Acesse o site, cadastre seu CV em português e anexe uma carta de apresentação, em inglês, indicando porque você seria o/a candidato/a para esse posto (no máximo com 350 palavras). Informar na carta a sua pretensão salarial.
Associe-se à oportunidade o código: J19114COORDCAPTAÇÃO
Agradecemos seu interesse nesta posição. Serão convidados/as para o processo somente os profissionais que atendam aos requisitos acima descritos.

Em discurso na ONU, Bolsonaro acusa ‘fantasmas’ pela destruição da Amazônia

A Oxfam Brasil recebe com apreensão o discurso do presidente brasileiro Jair Bolsonaro na abertura do debate geral da 74ª Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Em vez de admitir erros e indicar soluções para a caótica situação ambiental no Brasil, Bolsonaro preferiu fazer acusações contra povos indígenas, mídia internacional, ONGs e outros países.

A floresta amazônica não está queimando devido a “práticas culturais da população indígena e local”, como ele disse hoje em seu discurso. Está queimando porque ele, o presidente do Brasil, deu vários sinais de que os grandes agricultores da região podem fazê-lo. E se o seu governo está tão comprometido com a proteção ambiental, por que ele está cortando fundos públicos para as agências que trabalham em campo fazendo exatamente isso?

Bolsonaro disse também que um “novo capítulo de esperança” é necessário para os povos indígenas, e a Oxfam Brasil concorda. Mas eles primeiro precisam ser protegidos daqueles que os querem fora de suas terras e que os matam há gerações para que possam expandir suas terras agrícolas.

E esse capítulo deve ser escrito pelos próprios povos indígenas.

Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

Está com dúvida sobre a mala direta ou boleto da Oxfam Brasil?

1. Têm um débito programado na minha conta!

O DDA (Débito Direto Autorizado) é um sistema brasileiro criado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e não é um débito automático em sua conta. É apenas o registro do boleto de pedido de doação. Você ainda receberá uma carta apresentando o trabalho da Oxfam e o boleto anexo.

Para esse processo seguimos o padrão do Banco Central que exige o registro do CPF e vencimento, por isso ele aparece como DDA (para clientes cadastrados nessa modalidade no banco).

Após o vencimento do boleto, o aviso deixa de existir, pois é apenas um pedido de doação, sem vinculação qualquer a uma cobrança.

2. Recebi um boleto da Oxfam Brasil, mas eu não solicitei!

Você recebeu um impresso que apresenta o nosso trabalho e faz um pedido de doação para o Fundo Global de Emergência da Oxfam.

Esse impresso contém um boleto que é um convite para a doação. Essa é uma prática comum a diversas organizações no Brasil e no mundo, e é uma forma de fazer com que mais pessoas conheçam os nossos trabalhos, entendam sua importância e impacto de nossos projetos para a sociedade. É importante destacar que nós não temos acesso aos seus dados até que você se torne um doador.

3. De onde tiraram meus dados? Quero cancelar esse boleto!

A Oxfam Brasil realizada segmentação de perfis para potenciais apoiadores da nossa causa, e usa o sistema de diferentes empresas no mercado que possuem e fornecem os dados cadastrais conforme essas segmentações. A Oxfam Brasil não tem acesso aos seus dados finais, essa ação permite apenas que possamos enviar pelos correios um informativo junto a um boleto. Esse processo segue as normas da Associação Brasileira de Marketing de Dados (ABEMD).

Você pode, a qualquer momento, solicitar o cancelamento deste boleto e de futuros envios. Basta entrar em contato com a nossa equipe de Relacionamento pelo e-mail doador@oxfam.org.br informando seu nome completo e CPF para enviarmos ao banco a solicitação do cancelamento.

4. Como saber que o valor da doação vai mesmo para as causas necessárias?

A Oxfam Brasil faz parte da confederação Oxfam, que reúne cerca de 20 afiliados e atua em mais de 90 países no mundo. A origem da Confederação remonta aos anos 40 na Inglaterra, quando diversos grupos da sociedade se mobilizaram para ajudar no combate a fome durante a Segunda Guerra Mundial. A partir desse movimento começamos uma organização global que enfrenta as desigualdades para vencer a pobreza. Nossa visão de futuro é um mundo livre de injustiças. Em nosso site e nos sites internacionais você encontra nossos relatórios anuais e financeiros.

Conflitos por terras e desmatamento ilegal alimentam ‘indústria da morte’ na Amazônia brasileira

O desmatamento ilegal na Amazônia brasileira não gera apenas destruição da floresta, mas também muitas mortes de ativistas. Na última década, mais de 300 pessoas foram assassinadas no Brasil devido a conflitos por terra e por uso de recursos naturais na Amazônia brasileira. Segundo dados do relatório “Máfias do Ipê – Como a violência e a impunidade impulsionam o desmatamento na Amazônia brasileira” lançado pela Human Rights Watch na quarta-feira (18/9), a região é marcada por violência, desmatamento ilegal e impunidade.

Cemitério de vítimas da chacina de Pau D’Arco, no Pará (foto: Mario Campagnani/Justiça Global)

O relatório foi lançado em audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (leia aqui). Ele mostra que a extração ilegal de madeira na Amazônia é em grande parte impulsionada por redes criminosas que têm a capacidade logística de coordenar a extração, o processamento e a venda em larga escala. Além disso, usam a violência como método para o avanço dessas atividades.

O Estado brasileiro tem fracassado em identificar e punir os responsáveis pelos crimes, diz o relatório.

A devastação da floresta e a violência caminham lado a lado.

Marina Marçal, Oxfam Brasil

“No país que mais mata defensores de direitos humanos e socioambientais na América Latina, a devastação da floresta e a violência contra os povos que nela vivem caminham lado a lado. O Estado tem que efetivar políticas de proteção a esses defensores”, afirma Marina Marçal, analista de políticas e incidência da Oxfam Brasil.

Leia também: Na briga entre Macron e Bolsonaro, ficamos do lado do clima e da Amazônia

A Human Rights Watch utilizou dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) para a elaboração do relatório. Foram analisados 28 dos casos de assassinatos ocorridos na Amazônia brasileira, quatro tentativas de homicídios e 40 ameaças.

300 assassinados em uma década

“Dos 300 assassinatos mapeados pela CPT, só 14 chegaram à Justiça. Entre os 28 examinados pela Human Rights, apenas dois foram julgados. No caso das 40 ameaças, nenhuma chegou a instância judicial”, destacou César Muñoz, pesquisador da instituição.

A organização destacou que em pelo menos 19 dos 28 assassinatos examinados, os ataques foram precedidos de ameaças contra as vítimas ou suas comunidades. “Se as autoridades tivessem realizado investigações minuciosas sobre esses atos anteriores de intimidação, poderiam ter evitado os assassinatos”, destaca o documento.

O que as cidades brasileiras estão fazendo para reduzir as desigualdades?

As cidades brasileiras com as mais inovadoras e bem-sucedidas políticas públicas no combate às desigualdades serão o destaque do 3o. Prêmio Cidades Sustentáveis, que será realizado entre os próximos dias 16 e 20 de setembro, em São Paulo, durante a segunda edição da Conferência Internacional Cidades Sustentáveis.

As boas práticas serão avaliadas de acordo com os temas desigualdade econômica, com foco em raça e gênero; acesso a serviços (saúde, educação e infraestrutura) e acessibilidade.

O objetivo é destacar casos exemplares da gestão pública que possam se transformar em referência para outros municípios do país. As políticas inspiradoras e de bons resultados podem melhorar os indicadores em todas as áreas da administração pública.

As desigualdades brasileiras vão muito além da distribuição de renda. Elas estão presentes na falta de acesso adequado a serviços públicos de educação e saúde, na oferta de equipamentos de qualidade à população, e como essa precariedade de serviços impacta principalmente a vida da população negra e das mulheres. Segundo pesquisa de opinião pública que fizemos no início deste ano em parceria com o Instituto Datafolha, 2 em cada 3 brasileiros coloca o acesso à saúde como uma das prioridades para se ter uma vida de qualidade. Além disso, a maioria dos brasileiros defende a universalidade do ensino público fundamental e médio e do atendimento em postos de saúde e hospitais.

No Brasil, é enorme o abismo que separa regiões extremamente pobres de lugares com índices de países desenvolvidos. Por isso a importância do enfrentamento à desigualdade na esfera pública e a necessidade de políticas que priorizem os investimentos nos locais que mais precisam de recursos.

“Esse é um prêmio muito importante porque estimula as cidades a adotarem práticas que contribuam para a redução das desigualdades no país. Os grandes centros urbanos têm que ser protagonistas nesse esforço coletivo já que uma grande parte da população brasileira vive nas cidades. Nós da Oxfam Brasil estamos muito orgulhosos de participar dessa premiação, que é uma iniciativa da sociedade civil para alimentar o urgente e necessário debate sobre desigualdades, e buscar soluções para esse grande desafio nacional”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

Na briga entre Macron e Bolsonaro, ficamos do lado do clima e da Amazônia

A Oxfam Brasil saúda o alerta feito por Emmanuel Macron, presidente da França, para que o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tome medidas firmes e imediatas para proteger a floresta amazônica, mas alertas por si só não acabam com as queimadas. Sim, o presidente brasileiro precisa mudar suas políticas que contribuem para o desmatamento, mas os países do G7 – grupo dos 7 países mais ricos do mundo, entre eles a França – são historicamente responsáveis pela crise climática e por isso precisam também fazer a sua parte. Eles não estão fazendo o suficiente para cortar emissões de gases do efeito estufa ou ajudar os países mais pobres a se adaptarem para as consequências da crise climática.

A situação ambiental no Brasil é crítica e as queimadas na Amazônia não são um fato isolado. As leis ambientais brasileiras e as instituições públicas do país responsáveis por sua implementação e fiscalização estão sob ameaças de uma visão de governo que prioriza os lucros econômicos, sem se importar com as consequências para a população e os recursos naturais.

Desde o início de sua administração, o presidente brasileiro defende a ideia de que as políticas e agências ambientais, juntamente com as ONGs, estão atrasando o desenvolvimento do país. Ele tem sido bastante enfático em expressar como o setor produtivo deveria ser liberado para agir como achar melhor.

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul foi assinado com base no compromisso do Brasil com os acordos climáticos internacionais e as políticas ambientais.

Os líderes do G7 já se comprometeram em reduzir emissões e ajudar os países mais pobres a se adaptarem. Não há mais tempo para discursos apenas. Eles precisam ser valentes e agir já!