Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

A fome no Brasil é uma triste realidade

Um problema do passado voltou: o Brasil pode voltar ao Mapa da Fome depois de 5 anos. É o que sugere a série de reportagens sobre o tema, fruto de uma parceria da Oxfam Brasil e da Agência Pública que em 2018 ofereceu microbolsas para a produção das 7 reportagens. Foram mais de 80 propostas recebidas, vindas de 15 estados diferentes. A ação surgiu da percepção sobre o aumento do número de pessoas em situação de extrema pobreza entre 2015 e 2017.

Ainda que o país esteja fora do Mapa da Fome desde 2014, a fome ainda é uma realidade e os dados são alarmantes. O último relatório da FAO (agência da ONU para agricultura e segurança alimentar) aponta que no Brasil, 2,5% da população passou fome em 2017. Isso corresponde a 5,2 milhões de pessoas.

Como mostramos em nosso relatório País Estagnado, pela primeira vez nos últimos 15 anos, a redução da desigualdade de renda parou no Brasil. Em 2016 o espaço dedicado aos gastos sociais no orçamento federal retrocedeu 17 anos.

Veja algumas das informações relevadas nas reportagens:

Retrospectiva 2018 – um ano de muitos desafios.

 Em 2019, a situação não deverá ser muito diferente, mas independentemente do cenário posto, continuaremos nosso trabalho de enfrentamento das desigualdades – de renda, gênero e raça – para vencer a pobreza extrema e garantir que todos e todas tenham seus direitos garantidos e respeitados.

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Agência Pública e Oxfam Brasil oferecem bolsas para reportagens sobre fome

 

O número de pessoas em situação de extrema pobreza voltou a crescer entre 2015 e 2017, e com isso o fantasma da fome volta a assombrar o Brasil. E pior: não há perspectiva de melhora no curto e médio prazos, devido ao corte de gastos sociais promovido pela Lei de Teto dos Gastos (EC 95), que limita o investimento do governo em políticas e ações de enfrentamento à fome e à pobreza.

Para investigar o assunto e oferecer subsídios à discussão de como enfrentar os problemas que voltam a assustar milhões de brasileiros, a Oxfam Brasil e a Agência Pública lançam nesta segunda-feira (20/8) oconcurso Microbolsas Fome, para a produção de reportagens investigativas sobre o tema. O prazo de inscrição aos candidatos termina no dia 21 de setembro. Quatro propostas serão escolhidas como vencedoras receberão R$ 7 mil e uma mentoria da Agência Pública para a produção das reportagens.

Para se inscrever, preencha este formulário.

relatório A Distância Que Nos Une, que a Oxfam Brasil lançou em setembro de 2017, revela como as muitas desigualdades brasileiras – de renda, riqueza, raça e gênero – se relacionam com a distribuição de serviços básicos e têm impacto na Saúde, na Educação e renda familiar da população. Quanto mais desigual for o país, menos pessoas conseguem sair do ciclo da pobreza – principalmente em tempos de crise econômica como a que vivemos.

Pautas detalhadas

As pautas propostas devem ser detalhadas, com os interessados sendo obrigados a apresentarem a pré-apuração, um plano de trabalho e orçamento. Serão aceitas propostas de reportagens escritas, em vídeo, áudio ou multimídia, desde que sejam investigativas. Leia aqui a íntegra do regulamento.

“Um relatório produzido por mais de 20 organizações da sociedade civil, de julho do ano passado, mostra que a pobreza e a fome voltaram a crescer entre 2015 e 2017, sem perspectiva de melhoria devido aos cortes promovidos pela lei do Teto de Gastos. É inaceitável a postura das autoridades de ignorar essa realidade e não tomar providências para combater a fome em um país rico em recursos para a produção de alimentos como o nosso” diz Marina Amaral, co-diretora da Agência Pública.

O objetivo do concurso é produzir informações bem apuradas e relevantes sobre a situação da fome no Brasil sob diferentes pontos de vista.

“É inaceitável a desigualdade e o sofrimento humano que vemos em um sistema de produção de alimentos que gera muita riqueza. Temos diferentes atores que são responsáveis por isso: o governo, com os cortes que faz em políticas de combate à fome e apoio à agricultura familiar; e as grandes empresas, que se apropriam da maior parte da riqueza gerada, empurrando agricultores e trabalhadores para a pobreza, e deixando milhões de pessoas sem acesso a alimentos saudáveis”, afirma Gustavo Ferroni, assessor sênior de Política e Incidência da Oxfam Brasil.

A Agência Pública e a Oxfam Brasil vão definir em conjunto as quatro pautas vencedoras. As reportagens serão editadas pela Pública, que vai acompanhar os repórteres durante a realização da pauta, editar, publicar e distribuir o conteúdo para seus parceiros republicadores.

 

Brasil dá vexame em pesquisa sobre mobilidade social no mundo

Está cada vez mais difícil algúem nascer na pobreza e conseguir melhorar de vida, atingindo um padrão médio – chegar ao topo então, onde confraternizam-se os ricos, nem pensar. Foi o que constatou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 35 nações desenvolvidas e algumas outras convidadas, ao estudar a mobilidade social no mundo desde a década de 1990. Segundo reportagem da revista Carta Capital, a OCDE constatou que a distância entre ricos e pobres vem aumentando preocupantemente, principalmente a partir da crise financeira de 2008. No Brasil, a situação consegue ser um pouco pior: penúltimo lugar na lista de 30 países, exibe uma desigualdade social e econômica gritante.

De cada 10 filhos de famílias brasileiras miseráveis, 3,5 morrerão e somente um tem chance de chegar ao topo.

A reportagem revela ainda como os que estão no grupo do 1% mais rico do Brasil não se enxergam como tal, muitas vezes se considerando ‘apenas’ como classe média, e traz reflexões sobre como investimentos em saúde e educação, e uma boa reforma no sistema tributário brasileiro, que taxa mais o consumo do que a renda e propriedade, podem ajudar a reduzir drasticamente as desigualdades no país.

A gritante desigualdade brasileira tem sido tema constante do trabalho da Oxfam Brasil, porque a consideramos como um dos principais entraves ao pleno desenvolvimento do país e razão das muitas injustiças que atingem principalmente jovens e mulheres negras. Parte de nosso trabalho tem sido lançar relatórios, estudos e pesquisas que jogam luz sobre o problema e apresentam algumas soluções. Queremos com isso contribuir para o debate público sobre as desigualdades e a pobreza, e ficamos felizes em vez que três de nossos relatórios foram usados como fontes nessa reportagem da revista Carta Capital: A Distância Que Nos Une, sobre a desigualdade no Brasil, lançado em setembro do ano passado;Recompensem o Trabalho, Não a Riqueza, lançado em janeiro deste ano às vésperas da reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos; , e Hora de Mudar, lançado no último dia 21 de junho, sobre desigualdade e sofrimento humano na cadeia de fornecimento dos supermercados.

Trecho da reportagem:

Em janeiro, às vésperas de outro convescote da elite global em Davos, nos Alpes suíços, a Oxfam, uma rede 20 organizações atuante em 90 países, divulgou mais um relatório sobre concentração de renda no mundo. Com base em estudos do bancão Credit Suisse e de dados compilados pela revista Forbes, a Oxfam informou que havia 2.043 bilionários no mundo no ano passado, dos quais 43 eram brasileiros (12 a mais do que em 2016).

As fortunas nacionais tinham no pelotão de frente o empresário Jorge Paulo Leman, dono de 27 bilhões de dólares, e seus sócios de AmBev Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, o banqueiro Joseph Safra, o jovem Eduardo Saverin, do Facebook, a família Moreira Salles, do Itaú Unibanco, os irmãos Marinho, Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, trio das Organizações Globo.

Juntos, os cinco primeiros do ranking (Leman, Safra, Telles, Sicupira e Saverin) controlavam o mesmo que a metade mais pobre do País, 100 milhões de pessoas. Até 2016, eram seis, como Boulos disse à Jovem Pan.

Outro estudo da Oxfam sobre o Brasil, “A Distância Que nos Une”, de setembro de 2017, mostrava um exemplo um pouco mais concreto de concentração de riqueza no País. Na cidade de São Paulo, 25% de todos os imóveis registrados estão nas mãos de 1% dos proprietários, um total de 22,4 mil pessoas.

Quando se vê a mesma situação a partir do valor dos imóveis, a concentração é ainda maior. O 1% controla 45%, cada indivíduo do 1% possui, em média, 34 milhões de reais em imóveis. Um novo documento, divulgado na quinta-feira 21, trouxe mais uma ilustração. Esse documento mostra como os supermercados têm esmagado os pequenos produtores rurais fornecedores de comida vendida nas gôndolas.

Hoje em dia, de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo, um sai do Brasil. O preço desse produto encareceu mais de 50% nos supermercados norte-americanos e europeus desde a década de 1990, mas o valor recebido pelos camponeses brasileiros equivale a apenas 4% do preço final.

Leia aqui a íntegra da reportagem da revista Carta Capital.

Projetos da Oxfam ajudam agricultores de Gana a enfrentarem a ‘temporada da fome’

De junho a agosto, quem vive no norte de Gana tem que se planejar muito para não ficar sem o que comer. É a ‘temporada da fome’, dizem os locais, época em que a seca deixa o solo praticamente inutilizado para qualquer tipo de plantação. Hoje, cerca de 75% das famílias da região não têm comida suficiente devido às más condições climáticas e à falta de infraestrutura básica para auxiliá-los em tempos difíceis. Os níveis de pobreza são duas ou até três vezes maiores do que a média nacional e as mudanças climáticas estão agravando o problema – as chuvas têm se tornado mais imprevisíveis e intensas, com períodos alternados de secas e inundações.

Mary Paula Lanuzie, de 62 anos, sabe bem disso e dá a receita para enfrentar as condições adversas: “Nessa época do ano, a sobrevivência é uma questão de planejamento e gerenciamento (dos recursos).” Ela vive em Goziir, pequeno vilarejo na região norte de Gana, com seu marido e seis membros da família. Além de economizar grãos e planejar bem para sobreviver durante a ‘temporada da fome’, Mary tem se beneficiado dos projetos que a Oxfam vem oferecendo para ajudar pequenos agricultores a melhorarem suas plantações e aumentarem seus rendimentos – desde que começou com os treinamentos, já conseguiu dobrar sua renda com a plantação de milho.

“Estamos sabendo economizar. Em nossa casa, temos comida. Estamos felizes”, diz Mary, lembrando um aspecto importante para o sucesso. “Nossa comunidade se dá bem e as mulheres aqui são muito unidas. Nós entedemos que precisamos ajudar umas as outras.”

Cerca de 70% dos treinamentos oferecidos pela Oxfam apoiam especificamente as mulheres, que não têm as mesmas oportunidades que os homens para conseguirem meios de se sustentarem. Os projetos indicam novos métodos agrícolas e atividades alternativas de geração de renda, como a criação de abelhas e produção de mel, criação de gado, compostagem e construção de fornos energeticamente eficientes.

Supermercados e as desigualdades: eles são parte do problema – e também da solução

Quase todos nós os utilizamos, eles são parte de nossa rotina e, na correria do dia-a-dia, tornam a nossa vida mais fácil. Supermercados, o lugar onde compramos nossa comida.

Eles são muito convenientes, nos trazem bons preços, variedade e facilidade. Porém, por trás dos códigos de barras de seus produtos é comum encontrarmos histórias de produtores sendo pressionados e trabalhadores rurais que não conseguem se alimentar no final do mês. A agricultura no Brasil ainda é mercada por injustiças e sofrimento. Da mesma maneira que os supermercados estão presentes em nossas vidas como consumidores, eles estão presentes na vida de quem trabalha e produz nossa comida, como compradores e distribuidores de alimentos.

A responsabilidade das principais cadeias de supermercados pelas desigualdades existentes na cadeia de alimentos é grande, e maior ainda o papel que devem desempenhar para encontrar as soluções necessárias para acabar com elas. No Brasil hoje, três grandes redes – Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour – concentram 46% do setor isso, acabam sendo preponderantes na manutenção de uma estrutura que está reduzindo a renda de trabalhadores e pequenos e médios agricultores, contribuindo para a concentração de terras e precárias condições de trabalho e discriminando mulheres. Enquanto os grandes supermercados ficam com a maior parte da riqueza gerada e lucram bilhões a cada ano, a trabalhadores e produtores restam renda insuficiente para uma vida digna, trabalho análogo a escravidão e perda de suas terras.

“Diante do potencial de influência que os supermercados têm dentro da cadeia, eles têm uma parcela enorme de responsabilidade sobre o que se passa nela”, afirma Marcel Gomes, secretário-executivo da ONG Repórter Brasil e responsável pela área de pesquisa da organização. “Na medida em que eles vão cada vez mais concentrando poder, eles também têm que concentrar responsabilidades, criando políticas corporativas para fazer a gestão da cadeia, para acompanhar e monitorar seus fornecedores, corrigir quando houver problema e ter diálogo aberto com o sindicato de trabalhadores e outras organizações da sociedade civil.”

Para Marcel, os grandes supermercados precisam ter uma visão ampla sobre o que se passa dentro da cadeia de fornecedores de alimentos e desenvolver políticas específicas, conectadas com as tendências mais contemporâneas de responsabilidade social corporativa. O modelo de negócio não pode ter como princípio único a questão do menor preço – a responsabilidade social tem que afetar diretamente o departamento de compras para promover mudança significativa no cenário de desigualdades que temos hoje no Brasil. “O que vemos são os setores de compra dos supermercados muitas vezes ‘blindados’ de possíveis políticas de responsabilidade social que possam gerar custos extras. É um problema que ainda está para ser superado.”

Luís Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo e gerente de certificação do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) concorda com Marcel em relação ao papel central que os supermercados têm na superação das desigualdades na cadeia de alimentos no Brasil e acrescenta a solução passa pela interação das políticas das empresas com as políticas públicas, por ser de interesse público, dos consumidores. “Essa questão não será superada só com ações das empresas, nem só com as ações de governo.”

Algumas boas práticas já podem ser observadas no Brasil. Marcel Gomes lembra o Pacto Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, de 2005, que foi uma iniciativa de várias organizações, entre elas a Repórter Brasil, o Instituto Ethos e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Pacto foi construído a partir de pesquisas de cadeias produtivas, entre elas a de alimentos, que tinham casos de trabalho escravo. Os produtos de fazendas flagradas pelo Ministério do Trabalho usando trabalhadores em situação de escravidão estavam chegando nas agroindústrias e também nos supermercados. As três principais redes brasileiras – Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour foram convidadas a participar e aceitaram. Elas criaram então políticas internas para ter nos contratos com fornecedores cláusulas que vedavam a negociação de produtos que tinham qualquer relação com o trabalho escravo. “Isso ajudou pelo menos de uma maneira mais ampla a ter um filtro que trouxe dificuldades para  fazendeiros que não cumpriam o Pacto. Se algum problema fosse identificado, eles tiravam os fornecedores da cadeia”, lembra Marcel.

A construção de pactos e políticas inclusivas no setor depende, no entanto, da organização de trabalhadores rurais e agricultores, afirma Luís Fernando, do Imaflora. “É impossível tratar individualmente caso a caso. Há um grande número de pequenos negócios, de pequenos produtores pelo país. Esse é um gargalo muito sério no Brasil: a fragilidade do cooperativismo e do associativismo. As políticas públicas que apoiam o cooperativismo são muito frágeis. A transparência e a capacidade de gestão das cooperativas são muito frágeis.”

Aos supermercados, diz Luís Fernando, cabem duas abordagens: aumentar a concentração na cadeia e, consequentemente a desigualdade, ao priorizarem o modelo de negócio baseado no preço apenas, selecionando sempre os maiores e poderosos, capazes de oferecer produtos a ‘preços competitivos’, ou praticarem políticas inclusivas, apoiando os pequenos e médios negócios e produtores, para terem condições de participar de suas cadeias produtivas e de fornecedores. “Aí muda radicalmente a perspectiva, com os supermercados podendo ser agentes de mudança, reconhecendo a desigualdade e, a partir disso, fazer parte da solução, não apenas do problema.”

Esta situação mostra que por trás dos preços que os supermercados nos oferecem, existe uma responsabilidade que precisa avançar.

Novo relatório propõe debate público sobre as desigualdades no país

O debate público sobre a redução das desigualdades no Brasil é urgente e necessário. Vivemos hoje uma situação insustentável e injusta. Por exemplo: uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês hoje teria que trabalhar 19 anos para receber o mesmo que um brasileiro que faz parte hoje do 0,1% mais rico do país. Mais de 16 milhões de brasileiros ainda vivem abaixo da linha da pobreza, apesar de todos os esforços feitos nos últimos anos para enfrentar o problema. Saímos recentemente do Mapa da Fome e retiramos milhões da miséria, mas os ricos continuaram concentrando riqueza. Está mais do que na hora de enfrentarmos a questão com seriedade, urgência e determinação. É o que propõe o novo relatório “A distância que nos une – um retrato das desigualdades brasileiras”, da Oxfam Brasil, lançado na última semana de setembro em São Paulo. O documento apresenta dados sobre a desigualdade socioeconômica brasileira e os caminhos possíveis para se ter um país mais justo e livre de tantos desequilíbrios sociais.

Veja aqui como foi o lançamento.

Baixe aqui o relatório A Distância que nos Une.

“Precisamos falar sobre nossas desigualdades e os caminhos existentes para reduzi-las”, afirmou Katia Maia, diretora da Oxfam Brasil, durante o lançamento do relatório. “A gente acredita que as distâncias só podem ser reduzidas em trabalho conjunto. Isso é o que nos une”, disse ela, lembrando que o Brasil conseguiu elevar a base da pirâmide social nas últimas décadas, mas em um ritmo ainda muito lento. “Atacar essa questão é responsabilidade de todos. Há inúmeras ideias e propostas circulando, algumas até formam consenso na sociedade. A única coisa que não se pode fazer é ignorar o problema e não fazer nada. Estamos juntos no mesmo barco.”

Para Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, trabalhar pela drástica redução das desigualdades no país é a missão mais nobre e mais importante que qualquer brasileiro poderia ter. “O quadro das desigualdades foi construído por todos nós brasileiros, e pode ser mudado também por todos nós. As desigualdades foram construídas, não são algo que sempre existiu”, disse ele, lembrando que os caminhos para conseguir um país mais justo e menos desigual são conhecidos e já testados por outros países. São eles: educação de qualidade, sistema tributário mais justo e ativa participação popular no sistema político.

Rafael Georges, coordenador de Campanhas da Oxfam Brasil e autor do relatório, acredita que toda a trajetória de redução de desigualdades que vinha sendo seguida desde a proclamação da Constituição de 1988 foi interrompida. “E agora estamos dando muitos passos para trás na garantia de direitos à população. Enquanto isso, a concentração de renda e patrimônio continua intocável. Se não enfrentarmos essa situação, vai ser ruim para todos no país – mas principalmente para quem pouco ou nada tem para se proteger”, afirma.

Com o relatório “A Distância Que Nos Une”, a Oxfam Brasil pretende contribuir e apresentar soluções ao debate sobre as desigualdades no Brasil, destacando que todas as pessoas, independentemente de sua classe social, sofrem as consequências. A desigualdade extrema gera conflito social, aumenta a violência e cria instabilidade política. “O Brasil só poderá dizer que é realmente um Estado democrático de direito se oferecer condições melhores para sua população. E isso não vem acontecendo”, “As desigualdades entre pobres e ricos, negros e brancos, mulheres e homens não são um problema de poucos, mas um problema de todos. Esta é a distância que nos une”, define Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil.

O evento contou com a participação de alguns convidados, como a poetisa Joy Thamires, que deu seu recado por meio de uma forte poesia, falando sobre uma das principais questões da desigualdade no Brasil: o racismo. “Não tem como falar de desigualdade sem falar de racismo”, disse Joy, que faz parte do Hub das Pretas de Recife, um projeto apoiado pela Oxfam Brasil.

Também fizeram boas reflexões durante o evento, tocando em pontos diversos da questão das desigualdades no Brasil: Marcelo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Danilo Miranda, diretor regional do Sesc; Cida Bento, coordenadora executiva do CEERT; e Nathalie Beghin, coordenadora da assessoria política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). 

Acompanhe em nossa página no Facebook a repercussão do lançamento do relatório.