Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Educação e geração de renda devem ser prioridade na ajuda a refugiados rohingya

Educação e oportunidades de geração de renda devem ser prioridade na crise humanitária da etnia rohingya, que vivemno maior campo de refugiados do mundo em Bangladesh. Três organizações globais – Oxfam, Save the Children e Visão Mundial – fizeram o alerta durante o lançamento, em Genebra (Suíça), do novo plano da ONU para lidar com a crise, que já dura um ano e meio, desde que milhares de pessoas da etnia rohingya fugiram da violência e perseguição em Myanmar.

Em nota, as três organizações pedem que os governos de todo o mundo financiem o Plano de Resposta Conjunta de 2019 para a crise humanitária rohingya. As ONGs aplaudem o novo e ambicioso plano da ONU – que prevê a aplicação de U$ 920,5 milhões para auxiliar mais de 1,25 milhão de pessoas na região, das quais 909 são mil refugiados e 336 mil moradores das comunidades locais – e pedem ênfase para atividades de geração de renda e educação.

As ONGs pedem que doadores e o governo de Bangladesh garantam que a ação humanitária naquele país auxilie os refugiados e as comunidades, dando a chance de uma vida segura e digna, por meio de garantia de necessidades básicas como alimentação, abrigo e água limpa. Isso também significa investir em educação, para empoderar os jovens com as ferramentas e habilidades necessárias para criar um futuro próspero num possível breve retorno em segurança para Myanmar, quando for possível. Além disso, tais medidas permitirão que os refugiados possam sustentar suas famílias com dignidade.

Cerca de 700 mil crianças e jovens entre 3 e 24 anos, incluindo 200 mil pessoas das comunidades ao redor dos campos de refugiados, não têm acesso à educação. Para os refugiados, a situação é especialmente grave: apenas 4 em cada 100 têm acesso a qualquer forma de educação convencional ou treinamento vocacional.

Sirjil, um refugiado de 13 anos, teme nunca mais ter acesso à escola. “Eu estava na quinta série em Myanmar, mas aqui não tenho nada para fazer. Às vezes vou à floresta coletar lenha. Às vezes vou ao rio… Não tem oportunidade para educação. Professores particulares custam 300 taka ao mês (cerca de U$3,50). Como podemos pagar por isso, se não temos dinheiro?”

Para Dipankar Datta, diretor da Oxfam em Bangladesh, as meninas rohingya, especialmente ao atingir a puberdade, enfrentam grandes dificuldades para ir à escola. “A falta de opção para as mulheres nos campos de refugiados torna a vida das mães solteiras muito difícil. Os doadores e o governo de Bangladesh devem ampliar as oportunidades de trabalho e educação para meninas e mulheres. Isso poderá protegê-las de abusos e exploração, ajudando a garantir um futuro melhor para elas e suas famílias.”

Oxfam, Save the Children e World Vision apelam ao governo de Bangladesh e à comunidade internacional para tornar a educação uma prioridade e encorajar iniciativas que promovam a auto-suficiência e a recuperação dos adultos.

 

Oxfam inaugura o maior sistema de esgoto em um campo de refugiados

A Oxfam inaugurou em janeiro deste ano a maior usina de tratamento de resíduos sólidos já construída em um campo de refugiados. A planta de Cox’s Bazaar, em Bangladesh, foi financiada pela Agência da ONU para Refugiados, a UNHCR, e pode processar os resíduos produzidos por mais de 150 mil pessoas.

A possibilidade de tratar grandes volumes de resíduos no próprio campo, em vez de transportar para outras usinas distantes, é um grande avanço para o saneamento e gerenciamento de afluentes em emergências.

Em 2018, mais de 200 mil casos de diarreia aguda foram diagnosticados nos campos dos refugiados rohingya em Bangladesh, além de infecções respiratórias e doenças de pele, como sarna – todas relacionadas às más condições locais de saúde e higiene .

Ao longo de sete meses, engenheiros da Oxfam e refugiados rohingya construíram um grande sistema desenvolvido especialmente para o terreno montanhoso da região, e também que levasse em consideração baixos custos de manutenção e operação.

O governo de Bangladesh forneceu um local apropriado para a construção, que foi efetuada em parceria com o Escritório de Ajuda a Refugiados e Repatriação em Cox’s Bazaar.

Para Salahuddin Ahmmed, engenheiro de águas e saneamento da Oxfam, ter saneamento seguro é vital para a prevenção de doenças. “Essa usina ecológica irá ajudar a manter os refugiados saudáveis, por meio do tratamento de 40 metros cúbicos de efluentes por dia. É uma grande quantidade. O investimento inicial vale à pena, pois a usina custa pouco e pode funcionar por mais de 20 anos, beneficiando a comunidade local até mesmo após o fim do campo de refugiados. Esperamos replicar esse modelo em outras emergências.”

Em situações de emergência, o método mais comum de lidar com esse tipo de resíduos é usar caminhões-tanque para sugar o esgoto das latrinas e fossas sépticas, e levar todo o lixo para longe. Entretanto, mais de 85% dos refugiados em todo o mundo estão em países em desenvolvimento, onde falta infraestrutura adequada. Tratar os resíduos no próprio campo reduz o risco de poluir terrenos e rios.

A nova usina ecológica utiliza lagos e brejos para o tratamento dos dejetos, e é completamente segura para a população e para o meio-ambiente. Possui múltiplos estágios de tratamento para prevenir a contaminação, além de revestimento de polietileno de alta densidade e unidades anaeróbicas para prevenir o mau cheiro de escapar.

A usina também produz gás natural. A Oxfam estuda maneiras de fornecer o gás para as famílias utilizarem na cozinha.

“Eu não sabia o que acontecia com todo o lixo das fossas. Estou feliz que a Oxfam construiu essa usina, já que ela vai prevenir que as doenças se espalhem. No último ano, muitas pessoas ficaram doentes por conta da diarreia. Mas agora a situação está melhorando. Nós podemos contar à nossa comunidade que essa usina vai fazer algo para melhorar nosso futuro e, quem sabe, produzir gás de cozinha. É incrível!”, diz Aki.

Perto de um milhão de refugiados rohingya em Bangladesh ainda precisam de água, comida, moradia e de outros ítens essenciais para sobreviver. A Oxfam solicita mais ajuda a mais recursos para melhorar a condição dos refugiados e mantê-los seguros.

A Oxfam fornece ajuda vital aos refugiados rohingya em Bangladesh, como água limpa e vales-refeição. Até agora, já alcançou mais de 266 mil pessoas.

 

Negligência deixa grávidas, crianças e vítimas de tortura abandonadas em ilha grega

Falhas graves na triagem de refugiados que chegam à ilha grega de Lesbos estão deixando milhares de pessoas à deriva na região, agravando a situação de vulnerabilidade em que se encontram. Crianças, mulheres grávidas, pessoas com deficiência e vítimas de tortura estão vivendo em condições precárias em grandes acampamentos, e não conseguem atendimento adequado em seus pedidos de asilo.

Segundo as leis da Grécia e da União Europeia, pessoas em situação de vulnerabilidade devem ter acesso aos procedimentos padrões para pedido de asilo no país, além de acesso à acomodação e atenção médica apropriadas na parte continental da Grécia. Em vez disso, estão passando por processos relâmpagos e sendo mandados de volta à Turquia. Além disso, a estrutura existente para o atendimento é praticamente inexistente: ao longo de 2018, a ilha de Lesbos contava com apenas um médico indicado pelo governo, para atender mais de 2 mil refugiados por mês. Em novembro, a região ficou sem médico, paralisando a triagem.

Renata Rendón, chefe da missão da Oxfam na Grécia, diz que não reconhecer nem responder às necessidades das pessoas mais vulneráveis é imprudente e irresponsável. “Nossos parceiros identificaram mulheres vivendo em barracas com bebês recém-nascidos, ou adolescentes detidos após serem identificados por engano como adultos. Identificar e ajudar essas pessoas é uma tarefa básica do governo grego e de seus parceiros europeus.”

A Oxfam pede ao governo grego e aos estados-membro da União Europeia que disponibilizem mais médicos e psicólogos aos refugiados, e também que melhorem o sistema de triagem nas ilhas gregas. Segundo a organização, mais pessoas que buscam asilo deveriam ser transferidas para a região continental da Grécia – incluindo as pessoas mais vulneráveis. A Oxfam solicita que os demais países da União Europeia compartilhem da responsabilidade de receber refugiados de maneira mais justa, reformando a Regulação de Dublin de acordo com a posição do Parlamento Europeu.

O detalhamento dessa crise humanitária na Grécia e as soluções proposta foram reunidas no documento Vulneráveis e Abandonados (PDF, em inglês).

 

Milhares de congoleses estão sendo expulsos de Angola

Uma crise humanitária de proporções gigantescas está se formando na região de Kasaï, na República Democrática do Congo, onde quase 260 mil pessoas estão sob ameaça. Elas foram forçadas a deixar Angola em uma violenta perseguição a refugiados e migrantes. A área, uma das mais pobres da República Democrática do Congo, já sofre com problemas de desnutrição, cólera e ameaça de um conflito armado.

Muitos dos que fogem de Angola afirmam que sofreram inúmeras violências, entre espancamentos, assédio sexual e estupro. Outros foram roubados e suas casas, destruídas. Pessoas andaram por dias sem comida ou abrigo, e muitos outros devem cruzar a fronteira nos próximos dias.

“Eles precisam urgentemente de comida e água, e ajuda para voltarem com segurança para suas famílias”, afirma Chals Wontewe, diretor da Oxfam na República Democrática do Congo. “As comunidades em Kasai estão fazendo tudo que podem para ajudar, mas eles já enfrentam pobreza, fome e doenças. Famílias estão abrigando até 30 refugiados que saíram de Angola, enquanto seus filhos passam fome.”

A maioria que foi forçada a retornar à República Democrática do Congo estava em Angola como migrantes econômicos, frequentemente trabalhando nas minas de diamantes – e muitos tinham permissão oficial de trabalho. Outros fugiram do conflito armado em seu país de origem.

“Eu vim para Angola porque estava com medo do conflito e queria salvar minha família. Mas um dia, um grande número de homens armados veio à minha casa, me trancou lá dentro, amarrou minhas mãos e me jogou no chão”, lembra Jean, um jovem fotógrafo e pai de três crianças. “Eles pegaram minha filha e a estupraram. Minha filha está em choque. Estou fazendo tudo que posso para apoiá-la. Esses homens também roubaram tudo o que tínhamos.”

Yvete, uma enfermeira de 40 anos, que vivia em Angola há 10 anos, mostrou a representantes da Oxfam o documento angolano oficial de residência que ela tinha quando foi presa. “Tudo aconteceu em poucos dias. Primeiro, ouvimos sobre uma decisão de que seríamos expulsos pelo chefe da vizinhança. Então apareceram ambulâncias com megafones com mensagens para que os estrangeiros fossem embora. Em seguida, vieram os soldados armados.”

Wontewe pede para que as autoridades angolanas respeitem os direitos dos refugiados e daqueles que têm documentos de residência oficiais, e garantam a segurança das pessoas, para que não sejam atacadas ou humilhadas de maneira alguma. “Aqueles que estão deixando o país deveriam fazê-lo de maneira segura e digna.”

A Oxfam alerta que o massivo fluxo de pessoas em meio à temporada de chuvas representa grande risco de saúde, numa região que já sofre com epidemia de cólera, e onde água potável e saneamento decente são escassos.

Conheça mais sobre nosso trabalho com ajuda humanitária.

Peça teatral ajuda refugiados rohingya a enfrentarem um inimigo mortal

Centenas de crianças rohingya se divertiram em raro momento de alegria assistindo a uma peça que ensina como se manter limpo e saudável no campo de refugiados de Kutupalong, em Bangladesh. Há quase 1 milhão de refugiados rohingya nos campos em Bangladesh, pessoas que fugiram de Mianmar no ano passado por causa da violência extrema no país vizinho. Crianças que viram seus familiares sendo assassinados agora enfrentam outra ameaça mortal – doenças contagiosas.

Há altos níveis de diarreia, infecções respiratórias e doenças de pele nos campos de refugiados em Bangladesh, todos os casos relacionados a questões de higiente e saneamento precário.

A peça, organizada pela Oxfam em parceria com as organizações Artes para Ação e Teatro Unido para Ação Social, ensina às crianças como se manterem saudáveis e como evitar a disseminação de doenças.

como atuamos em emergências

“Eu sempre digo aos meus filhos para lavarem as mãos depois de usarem o banheiro, mas eles nem sempre me escutam”, diz Minara (nome fictício), de 28 anos, que assistia à peça com seu filho de 10. “Pude ver que as crianças realmente gostaram da peça, e espero que agora elas se lembrem de lavar as mãos o tempo todo.”

As crianças fizeram fantoches gigantes que foram usados pelos atores da peça para demonstrar como as moscas transferem bactérias das fezes para a comida.

“Eu não tinha ideia de que as moscas carregassem germes”, afirmou Minara. “Assim que eu chegar em casa, vou cobrir toda a comida e falar para meus amigos sobre isso, para que façam o mesmo.”

O filho de Minara disse ter amado a peça. “A melhor parte foi ver as moscas zunindo em volta do cocô e da comida. Agora sei que moscas em cima da comida não é uma coisa legal.”

https://www.youtube.com/watch?v=gTlMkYMlM-0

Além de oferecer diversão educativa aos refugiados rohingya, a Oxfam e seus parceiros também estão trabalhando duro para garantir uma vida mais digna nos campos em Bangladesh, providenciando a instalação de banheiros químicos e equipamentos de saneamento. Mas nada disso tem serventia alguma se as pessoas não se conscientizarem sobre a importância das boas práticas de higiente no dia a dia, diz Dorothy Sang, da equipe da Oxfam em Bangladesh. “Já temos um grande número de pessoas sofrendo de diarreia severa por aqui – e isso pode ser mortal para as crianças. É importante ajudar não apenas os pais, mas também as crianças, fazer com que entendam como suas próprias mãos, a comida que comem e o ambiente lamacento em que estão vivendo podem ser fonte de bactéria que pode deixa-los doentes.”

“O futuro dessas crianças é muito incerto, mas enquanto estiverem aqui vamos continuar nosso trabalho para mantê-las a salvo de doenças.”

Mais ajuda e recursos são necessários para melhorar as condições nos campos de refugiados para além do básico, e garantir a segurança das milhares de pessoas que vivem nos acampamentos. Ao mesmo tempo, a Oxfam está exortando a comunidade internacional a trabalhar em conjunto para encontrar uma solução de longo prazo para o povo rohingya. Isso inclui esforços diplomáticos para acabar com a violência e políticas discriminatórias em Mianmar, que são a fonte de toda essa crise.

 

Mulheres rohingya vivem situação risco em campos de refugiados inadequados

As refugiadas rohingya que vivem em Bangladesh enfrentam problemas de saúde, não têm acesso a assistência vital e correm maior risco de serem abusadas nas instalações inseguras e inadequadas de muitos campos de refugiados.

Uma pesquisa da Oxfam e de agências parceiras mostrou que mais de um terço das mulheres não se sentem seguras ​​para buscar água ou usar os banheiros e que muitas não têm abrigos com porta e fechadura. 50% das mulheres e 75% das adolescentes reclamam da falta de itens de higiene feminina, incluindo um local exclusivo onde elas possam lavar os panos usados para conter o fluxo menstrual sem constrangimento.

Como resultado, as mulheres passam fome e sede para evitar usarem o banheiro. Com isso, sofrem com dores abdominais e infecções. Instalações inadequadas também aumentam o risco de abuso sexual e assédio. Centenas de incidentes de violência de gênero são relatados a cada semana

A Oxfam solicitou que 15% do valor dos próximos pacotes de ajuda internacional sejam destinados a programas humanitários que apoiem mulheres e meninas – incluindo U$ 72 milhões dos quase meio bilhão de dólares recentemente liberados pelo Banco Mundial.

Atualmente, não há um orçamento específico para as necessidades das mulheres em situação de emergência.

O governo e as agências de Bangladesh forneceram ajuda emergencial para mais de 700.000 rohingyas que chegaram ao país no último ano, mas o número de pessoas no maior campo de refugiados do mundo não para de crescer.

A gerente de Advocacy da Oxfam na cidade de Cox’s Bazar, Dorothy Sang, declarou: “A velocidade vertiginosa com que a crise dos refugiados Rohingya se desenrolou fez com que muitos abrigos de emergência fossem instalados às pressas, sem que as necessidades específicas das mulheres fossem consideradas”.

Mulheres e meninas agora pagam o preço em termos de bem-estar e segurança. “Isso precisa ser solucionado urgentemente com recursos suficientes para apoiar e proteger as mulheres Rohingya, como iluminação para melhorar a segurança, banheiros e lavanderias que ofereçam privacidade e assistência extra para as mais vulneráveis.”

A Oxfam está trabalhando com organizações locais e refugiados para que sua resposta humanitária seja efetiva em apoiar mulheres e meninas. Isso inclui a instalação de luzes a base de energia solar, a distribuição de lâmpadas portáteis, a promoção de debates com as mulheres sobre questões como segurança e casamento infantil, o trabalho comunitário para combater a violência contra as mulheres e promover a participação dos próprios refugiados no desenvolvimento de banheiros com as características necessárias, como portas com trancas, prateleiras para manter as roupas longe do barro no chão e garantir a privacidade.

como atuamos em emergências

Sang acrescentou: “O governo de Bangladesh deve ser elogiado por permitir que o povo Rohingya busque refúgio em Cox’s Bazar. Nos juntamos a eles e a outras vozes para convencer o governo de Mianmar a discutir as políticas discriminatórias que são a causa principal dessa crise”.

Cerca de um milhão de rohingyas buscaram refúgio em Bangladesh após uma campanha militar contra eles em Mianmar, descrita por funcionários da ONU como ‘limpeza étnica’.

Saiba mais sobre a situação dos rohingya:

https://www.youtube.com/watch?v=gTlMkYMlM-0
Novo plano da União Europeia para refugiados é receita certa para o fracasso

A ideia da Comissão Europeia de instituir ‘centros controlados’ para refugiados e outros migrantes na Europa em locais fora da União Europeia, e os arranjos propostos para imigrantes resgatados no Mar Mediterrâneo, estão longe de serem adequadas para a situação, e vão continuar ferindo os direitos básicos de milhares de pessoas que buscam asilo no continente europeu. As novas medidas foram anunciadas hoje em Bruxelas, na Bélgica, e prontamente condenadas pela Oxfam, que as considera “receita para o fracasso”.

“O que a Comissão Europeia chama de ‘centros controlados’ são de fato campos de detenção. Essa ideia já foi tentada e fracassou – deixando pessoas vulneráveis vivendo em condições deploráveis e inumanas na Itália e Grécia”, afirma Evelien van Roemburg, da campanha da Oxfam sobre migração na Europa.

“Em vez de criar mais campos, os governos europeus tinham que reformar seu sistema de asilo para que ele seja baseado no compartilhamento de responsabilidades entre todos os Estados membros, colocando os direitos, necessidades e segurança das pessoas em primeiro lugar.”

Segundo Evelien, os refugiados que chegam aos campos criados pela União Europeia esperam mais de dois anos até que as autoridades decidam sobre seus pedidos de asilo por meio de procedimentos opacos e injustos. “Isso coloca os que procuram asilo, muitos dos quais traumatizados ou vítimas de tráfico humano, em um limbo legal sem acesso a serviços básicos como saúde ou educação para suas crianças”, diz Evelien.

As medidas anunciadas hoje em Bruxelas evidenciam que a Europa não quer se responsabilizar pelo que acontece nos países fora do continente. Essa abordagem é uma receita certa para o fracasso, e ameaça diretamente os direitos das mulheres, homens e crianças.

Em junho passado, o número de pessoas à procura de asilo que se estabeleceram nas ilhas gregas chegou a quase 18 mil. As pessoas em geral passam meses no escuro esperando que seus pedidos de asilo sejam processados. Muitos refugiados não têm acesso à ajuda legal, ou porque não são informados de seus direitos de ter um advogado ou porque não há advogados suficientes à disposição.

Novo plano da União Europeia para refugiados é receita certa para o fracasso

A ideia da Comissão Europeia de instituir ‘centros controlados’ para refugiados e outros migrantes na Europa em locais fora da União Europeia, e os arranjos propostos para imigrantes resgatados no Mar Mediterrâneo, estão longe de serem adequadas para a situação, e vão continuar ferindo os direitos básicos de milhares de pessoas que buscam asilo no continente europeu. As novas medidas foram anunciadas hoje em Bruxelas, na Bélgica, e prontamente condenadas pela Oxfam, que as considera “receita para o fracasso”.

“O que a Comissão Europeia chama de ‘centros controlados’ são de fato campos de detenção. Essa ideia já foi tentada e fracassou – deixando pessoas vulneráveis vivendo em condições deploráveis e inumanas na Itália e Grécia”, afirma Evelien van Roemburg, da campanha da Oxfam sobre migração na Europa.

“Em vez de criar mais campos, os governos europeus tinham que reformar seu sistema de asilo para que ele seja baseado no compartilhamento de responsabilidades entre todos os Estados membros, colocando os direitos, necessidades e segurança das pessoas em primeiro lugar.”

Segundo Evelien, os refugiados que chegam aos campos criados pela União Europeia esperam mais de dois anos até que as autoridades decidam sobre seus pedidos de asilo por meio de procedimentos opacos e injustos. “Isso coloca os que procuram asilo, muitos dos quais traumatizados ou vítimas de tráfico humano, em um limbo legal sem acesso a serviços básicos como saúde ou educação para suas crianças”, diz Evelien.

As medidas anunciadas hoje em Bruxelas evidenciam que a Europa não quer se responsabilizar pelo que acontece nos países fora do continente. Essa abordagem é uma receita certa para o fracasso, e ameaça diretamente os direitos das mulheres, homens e crianças.

Em junho passado, o número de pessoas à procura de asilo que se estabeleceram nas ilhas gregas chegou a quase 18 mil. As pessoas em geral passam meses no escuro esperando que seus pedidos de asilo sejam processados. Muitos refugiados não têm acesso à ajuda legal, ou porque não são informados de seus direitos de ter um advogado ou porque não há advogados suficientes à disposição.

Crise humanitária: como ajudamos migrantes e refugiados

Mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo estão oficialmente longe de seus lares devido a conflitos armados, violência e perseguição. É o número mais alto já contabilizado pelas Nações Unidas desde a Segunda Guerra Mundial.

Em 2016, mais de 360 mil migrantes, incluindo refugiados, chegaram à Europa pelo mar. Mais de 170 mil deles cruzaram o Mediterrâneo central, a rota mais perigosa do mundo, com cerca de 5 mil mortes ou desaparecimentos registrados naquele ano. A maioria viajou em barcos partindo da Líbia, Tunísia ou Egito, arriscando suas vidas em busca de segurança na Itália.

No entanto, a grande maioria das pessoas estão refugiadas em seu próprio país de origem, ou próximo a ele. Na Nigéria, o atual conflito com o Boko Haram forçou 1,8 milhão de pessoas a fugirem de suas casas em busca de segurança em outras partes do país. O Líbano, que tem uma população de 4,5 milhões de pessoas, está sofrendo para receber 1,2 milhão de refugiados sírios. O número cada vez maior deles está vivendo em péssimas condições nos campos de refugiados nas fronteiras com a Turquia e Jordânia.

Muitos dos imigrantes e refugiados que chegam à Europa enfrentam incertezas diárias e desafios práticos – da falta de informação básica ao crescente risco provocados pelo tráfico humano e migração clandestina.

O fechamento e as restrições nas fronteiras europeias pioraram consideravelmente a situação dessas pessoas e criaram uma grande crise humanitária. Mais de 60 mil pessoas estão estacionadas na Grécias e mais de 8 mil na Macedônia e Sérvia devido à implementação do acordo entre Turquia e União Europeia de março de 2016, e o fechamento da rota dos balcãs para a Europa.

Tendo feito uma perigosa viagem pelo Mediterrâneo, aqueles que chegam à Itália e a Grécia acreditam ter encontrado um santuário. Em vez disso, acabam vivendo em lugares lotados, sem comida e serviços básicos como atendimento médico, água e saneamento.

Nos países dos balcãs, essas pessoas são muitas vezes agredidas pela polícia, que ilegalmente os intimida para impedir seu acesso ao país.

Como a Oxfam atua

Na região entre o Líbano, Síria e Jordânia, ajudamos a mais de 2 milhões de pessoas, oferecendo itens básicos de higiene pessoal, água, saneamento básico, medicamentos, alimentos e roupas. Também oferecemos assistência legal e damos informações aos refugiados sobre seus direitos legais.

Na Grécia, Sérvia, Macedônia e Itália, damos assistência a cerca de 300 mil pessoas. Além dos itens básicos de higiene, alimentação e vestuário, também providenciamos assistência legal e apoio psicológico. Trabalhamos com organizações locais para assegurar que possam oferecer assistência adequada e proteção aos que imigrantes. Distribuímos alimentos, kits de higiene, roupas e outros ítens essenciais, e também ajudamos a instalar equipamentos que possam fornecer água e saneamento básico.

Começamos nossas operações na Grécia em outubro de 2015, na ilha de Lesbos, quando a situação humanitária das pessoas que chegavam irregularmente da Turquia piorou consideravelmente. Providenciamos água limpa, saneamento, comida e outros itens aos refugiados. Atualmente estamos atuando também em Atenas e na região de Epiro, no Noroeste da Grécia.