Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

A Síria precisa de dinheiro para se reconstruir, não de mais um comunicado

Os representantes de governos que se reúnem nesta quinta-feira (14/3) em Bruxelas (Bélgica) para discutir a guerra na Síria precisam apresentar mais do que um ‘comunicado’ se realmente quiserem ajudar o país. Milhões de pessoas sofrem consequências graves com o conflito armado, que completa oito anos nesta sexta-feira (15/3), e o que elas realmente querem é recursos para reconstruírem suas vidas.

Em relatório publicado esta semana, a Oxfam e o Conselho Dinamarquês para Refugiados (DRC, na sigla em inglês) afirmam que os governos que se reúnem amanhã em Bruxelas precisam providenciar mais financiamento para ajudar os sírios a se recuperarem de tantos anos de conflito, que já matou milhares de pessoas e deixou quase 12 milhões delas dependentes de ajuda humanitária. As duas organizações pedem ainda que o governo da Síria permita que organizações humanitárias tenham acesso a todos aqueles que precisem de ajuda pelo país.

https://www.youtube.com/watch?v=tD5QiTRFoRY

A Síria está devastada com a guerra civil – prédios residenciais e escolas foram destruídas, as cidades estão sem água potável e saneamento básico, a fome é uma séria ameaça para a maioria da população. Mais de 80% dos sírios vivem hoje abaixo da linha da pobreza, e há mais de dois milhões de crianças estão fora da escola, segundo as Nações Unidas.

Para Moutaz Adham, diretor da Oxfam na Síria, milhões de pessoas no país precisam de dinheiro para alimentar suas famílias, colocar um telhado em suas casas, reconstruir escolas. “Eles não querem mais comunicados oficiais, eles querem ajuda efetiva para reconstruírem suas vidas e serem auto-confiantes novamente.”

Você pode fazer a diferença na Síria. Clique no botão abaixo e saiba como!

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Desigualdade na comida: quem realmente lucra com a nossa laranja?

Toda comida que a gente consome é produzida por milhões de agricultores pelo mundo. Um trabalho que deveria ser cada vez mais celebrado e valorizado, mas a realidade é bem diferente. Conforme revelamos em nosso relatório Hora de Mudar, lançado em junho de 2018, quem tem ficado com fatias cada vez mais generosas do dinheiro gerado pela produção agrícola são os grandes supermercados, especialmente dos Estados Unidos e Europa, e outros gigantes da indústria alimentícia. Aos trabalhadores agrícolas, sobretudo os pequenos, sobram pobreza, sofrimento e péssimas condições de trabalho.

Vejamos o caso da laranja brasilera. Somos um dos maiores produtores de laranja do mundo – 3 de cada 5 copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no Brasil. Esse sucesso todo tem gerado muito lucro aos grandes supermercados e à indústria de suco, e pouco ou quase nada aos produtores.

Não deixe esse suco azedar! Assine a petição

A gente preparou o vídeo de animação abaixo para explicar melhor como isso vem acontecendo:

https://www.youtube.com/watch?v=3oScJa1ar6Q
Maior supermercado alemão só venderá bananas produzidas de maneira justa

Gol da Alemanha! A rede Lidl, maior supermercado alemão e terceiro da Europa, anunciou no final de setembro que suas lojas na Alemanha e Suíça só venderão bananas produzidas de acordo com regras de comércio justo (‘fairtrade’), o que significa uma exigência de melhores condições de trabalho e produção. A Lidl tem mais de 3 mil lojas na Alemanha e 100 na Suíça, de um total de mais de 10 mil estabelecimentos em toda a Europa e também nos Estados Unidos.

Parte das bananas consumidas pelos alemães são produzidas no Brasil. Em 2017, exportamos cerca de 20 toneladas para a Alemanha, país que é o 10o maior destino da banana brasileira. O maior destino das bananas brasileiras é o Uruguai, com mais de 21 mil toneladas, seguido da Argentina (16,5 mil toneladas).

“Apesar da exportação de banana para Alemanha não ser o destino mais relevante para o Brasil, a exigência de melhores condições de trabalho e produção pelo 3º maior supermercado europeu, o Lidl, pode trazer um impacto positivo para o setor como um todo”, afirma Gustavo Ferroni, coordenador de programas da Oxfam Brasil. Em junho de 2018 a Oxfam Brasil lançou o relatório Hora de Mudar que revela como os grandes supermercados do mundo lucram bilhões às custas de péssimas condições de trabalho, pobreza e sofrimento de milhões de homens e mulheres trabalhadores e agricultores em diversas partes do mundo.

A decisão da rede de supermercados Lidl de só comercializar bananas produzidas de maneira justa em suas lojas na Alemanha e Suíça é uma grande vitória para todos os trabalhadores e agricultores do setor, que em geral ficam com muito pouco do valor final do produto comercializado.

Por exemplo: trabalhadores da banana no Equador ficam apenas com 7,6% do valor final do produto que é vendido na Europa e nos Estados Unidos. Já os supermercados europeus e americanos ficam com quase 40% do valor.

Queremos que os supermercados mudem seu modelo de negócio para priorizar transparência sobre procedência dos alimentos e evitar que nossa comida seja produzida com sofrimento humano, pobreza e péssimas condições de trabalho. Você pode fazer a diferença! Assine nossa petição!

O QUE É QUE A BANANA TEM?

As bananas são produzidas predominantemente na Ásia, América Latina e África. Os maiores produtores são Índia (29 milhões de toneladas por ano, média entre 2010 e 2015), China (11 milhões de toneladas por ano) e Filipinas (9 milhões de toneladas por ano). O Brasil produziu 7 milhões de toneladas por ano, em média, no mesmo período.

 

O Brasil é o segundo país que mais consome banana per capita e um dos maiores produtores do mundo, mas a maior parte do que se produz no país é consumido internamente. O Brasil exporta pouca banana: é apenas o 46o. país em exportação.

 

A maior exportadora de bananas do mundo é a empresa Chiquitita, que foi comprada em 2017 pelas empresas brasileiras Cutrale e Banco Safra.

Clique aqui

(saiba mais sobre esse e outros dados sobre as muitas desigualdades na produção de alimentos no mundo em nosso relatório Hora de Mudar)

 

Jovens da América Latina ainda consideram ‘normal’ a violência machista

A violência machista contra as mulheres da América Latina e Caribe está muito presente na vida dos jovens da região, a ponto de considerarem ‘normais’ situações como controlar a forma como as mulheres se vestem ou censurar suas fotos nas redes sociais. É o que revela o relatório Rompendo Padrões: Transformar imaginários e normas sociais para eliminar a violência contra as mulheres (resumo executivo em espanhol), publicado nesta quarta-feira (25/7) pela Oxfam após pesquisa com jovens de 15 a 25 anos de oito países – Bolívia, El Salvador, Colômbia, Cuba, Guatemala, Honduras, Nicarágua e República Dominicana.

O estudo mostra que a ideia do ‘amor romântico’ nocivo é a base de crenças que levam jovens a reproduzir desigualdades e justificar ou normalizar situações de violência machista. A partir da análise dos imaginários e normas sociais que reproduzem as violências machistas, o relatório indica novos caminhos para a igualdade de gênero e um mundo livre de violência.

– Seis entre cada 10 homens de 15 a 19 anos entrevistados pela Oxfam acredita que o ciúme é uma demonstração de amor.

– 65% dos homens entre 15 e 19 anos pensam que quando uma mulher diz ‘não’ para uma relação sexual, na realidade ela quer dizer ‘sim’.

– Sete entre 10 penam que a responsabilidade pelo assédio ou agressão sexual é das mulheres, devido à roupa que elas usam.

– 40% dos jovens homens pesquisados afirmaram que se uma mulher consumiu álcool, dá condições para um homem ter relações sexuais com ela, ainda que esteja inconsciente.

– 56% das mulheres e 48% dos homens entre 20 e 25 anos têm algum conhecido próximo que sofreu violência física ou sexual no último ano.

– 7 entre 10 jovens consideram a violência machista como um problema grave em seu país.

BAIXE AQUI O RELATÓRIO “ROMPENDO PADRÕES” – arquivo PDF, texto em espanhol.

Em quase todos os países da América Latina e Caribe houve avanços legislativos contra a violência e o feminicídio nos últimos anos, mas não o suficiente. A impunidade se alimenta da tendência a considerar ‘normal’ os atos de violência contra mulheres e meninas. A presença do machismo na música, literatura, filmes, relações familiares, amizades e casais, como algo que pode tolerar e, inclusive, que muitas vezes se celebra, tem consequências concretas e graves: 86% das mulheres e homens entre 20 e 25 anos entrevistados pela Oxfam acreditam que suas amizades não interviriam se um amigo agarra-se sua namorada.

“Os dados do relatório ‘Rompendo Padrões’ demonstram que o machismo é aceito e tolerado por muitos jovens da região, onde estão 14 dos 25 países do mundo com maior número de feminicídios. Isso indica a necessidade de atuação urgente. A normalização do machismo cotidiano muitas vezes termina com as piores consequências.

Prova disso são as 1.831 mulheres assassinadas em 2016 sem motivo outro que seu gênero, de acordo com dados da Cepal. Sabemos que isso pode e está mudando, e devemos apoiar os jovens nessa transformação para que vivam livres da violência de gênero”, afirma Damaris Ruiz, coordenadora de direitos das mulheres da Oxfam na América Latina e Caribe.

Grandes supermercados alimentam a desigualdade e sofrimento nas cadeias de fornecedores de alimentos

Os grandes supermercados do mundo estão lucrando bilhões ano após ano a um custo muito alto: péssimas condições de trabalho, pobreza e sofrimento para milhões de homens e mulheres trabalhadoras e agricultores em diversas partes do planeta. A situação é tão desesperadora que muitos dos que produzem nossos alimentos mal têm o que comer. É o que revela o novo relatório da Oxfam “Hora de Mudar – Desigualdade e sofrimento humano nas cadeias de fornecimento dos supermercados”, lançado nesta quinta-feira (21/6). O documento é a base de uma nova campanha global da organização, que cobra mudanças urgentes na distribuição dos ganhos deste segmento para melhorar a remuneração dos trabalhadores rurais e pequenos produtores, as condições de trabalho e a desigualdade de gênero na cadeia de fornecedores de alimentos na América Latina, África e Ásia.

Baixe aqui o relatório completo (versões em espanhol e inglês também disponíveis)

O relatório aponta que grandes redes de supermercados da Europa e Estados Unidos podem atuar decisivamente para mudar a situação de pobreza e más condições de trabalho de milhões de pessoas no mundo.

“O setor privado tem o potencial para tirar milhões de pessoas da pobreza, mas os grandes supermercados europeus e americanos estão acumulando riquezas sobre o trabalho degradante de homens e mulheres no campo”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. “Em muitos casos, devolver 1 ou 2% do preço de varejo – e isso pode significar alguns centavos apenas – poderia mudar a vida das milhares de pessoas que hoje produzem nosso alimento, mas mal têm o que comer.”

O Brasil foi um dos doze países incluídos no levantamento feito pela Oxfam para mostrar como a cadeia de produção se relaciona com a distribuição de alimentos e a exploração do trabalho.

“Os supermercados precisam enxergar sua responsabilidade sobre o que vem acontecendo no outro extremo de sua cadeia produtiva, onde estão trabalhadores e pequenos e médios produtores”, explica o assessor de políticas da Oxfam Brasil, Gustavo Ferroni. “Com o poder de compra que possuem, eles podem definir direta e indiretamente as condições de produção, exigindo – por exemplo – o compromisso de seus fornecedores para acabar com jornadas exaustivas, empregos informais, trabalho escravo e outras condições desumanas no campo”, acrescenta ele.

Por esse motivo, a nova campanha da Oxfam pressiona supermercados e governos de todo o mundo a atuarem com firmeza contra a precariedade do trabalho no campo, exigindo maior transparência sobre a procedência dos alimentos, fim da discriminação contra as mulheres e garantia de que agricultores e produtores recebam uma parcela mais justa do que é pago pelos consumidores no varejo.

Para a produção deste relatório foi contratada a consultoria de pesquisa Bureau for the Appraisal of Social Impacts for Citizen Information, que estudou a cadeia de 12 produtos de países em desenvolvimento que são vendidos nos supermercados europeus e norte-americanos: café (Colômbia), chá (Índia), cacau (Costa do Marfim), suco de laranja (Brasil), banana (Equador), uva (África do Sul), vagem (Quênia), tomate (Marrocos), abacate (Peru), arroz (Tailândia), camarão (Indonésia, Tailândia e Vietnã) e atum (Indonésia, Tailândia e Vietnã).

9 FATOS IMPORTANTES DO RELATÓRIO

  • Pequenos agricultores e trabalhadores rurais nas cadeias de fornecimento de 12 produtos básicos de supermercados sofrem para conseguirem sobreviver com a renda obtida. Para alguns produtos, como o chá indiano ou vagem queniana, a renda média é menos da metade do que seria considerado ideal para assegurar uma vida digna. A diferença entre uma renda mínima para se viver com dignidade e a renda recebida efetivamente é maior onde as mulheres são a maior parte da força de trabalho.
  • Seriam necessários mais de 4 mil anos para um trabalhador que atua no processamento de camarão na Indonésia ou Tailândia ganhar o mesmo que um típico executivo de um supermercado americano ganha em um ano.
  • Enquanto muitos trabalhadores rurais e pequenos agricultores vivem na pobreza, as oito maiores cadeias de supermercados de capital aberto geraram quase US$ 1 trilhão em vendas, US$ 22 bilhões em lucros e US$ 15 bilhões em dividendos a seus acionistas em 2016.