Enfrentar as desigualdades para vencer a pobreza

Mulheres rohingya vivem situação risco em campos de refugiados inadequados

Oxfam alerta para a necessidade de se destinar parte dos recursos de ajuda humanitária para atender as necessidades específicas das mulheres

27/08/2018 Tempo de leitura: 2 minutos
 

As refugiadas rohingya que vivem em Bangladesh enfrentam problemas de saúde, não têm acesso a assistência vital e correm maior risco de serem abusadas nas instalações inseguras e inadequadas de muitos campos de refugiados.

Uma pesquisa da Oxfam e de agências parceiras mostrou que mais de um terço das mulheres não se sentem seguras ​​para buscar água ou usar os banheiros e que muitas não têm abrigos com porta e fechadura. 50% das mulheres e 75% das adolescentes reclamam da falta de itens de higiene feminina, incluindo um local exclusivo onde elas possam lavar os panos usados para conter o fluxo menstrual sem constrangimento.

Como resultado, as mulheres passam fome e sede para evitar usarem o banheiro. Com isso, sofrem com dores abdominais e infecções. Instalações inadequadas também aumentam o risco de abuso sexual e assédio. Centenas de incidentes de violência de gênero são relatados a cada semana

A Oxfam solicitou que 15% do valor dos próximos pacotes de ajuda internacional sejam destinados a programas humanitários que apoiem mulheres e meninas – incluindo U$ 72 milhões dos quase meio bilhão de dólares recentemente liberados pelo Banco Mundial.

Atualmente, não há um orçamento específico para as necessidades das mulheres em situação de emergência.

O governo e as agências de Bangladesh forneceram ajuda emergencial para mais de 700.000 rohingyas que chegaram ao país no último ano, mas o número de pessoas no maior campo de refugiados do mundo não para de crescer.

A gerente de Advocacy da Oxfam na cidade de Cox’s Bazar, Dorothy Sang, declarou: “A velocidade vertiginosa com que a crise dos refugiados Rohingya se desenrolou fez com que muitos abrigos de emergência fossem instalados às pressas, sem que as necessidades específicas das mulheres fossem consideradas”.

Mulheres e meninas agora pagam o preço em termos de bem-estar e segurança. “Isso precisa ser solucionado urgentemente com recursos suficientes para apoiar e proteger as mulheres Rohingya, como iluminação para melhorar a segurança, banheiros e lavanderias que ofereçam privacidade e assistência extra para as mais vulneráveis.”

A Oxfam está trabalhando com organizações locais e refugiados para que sua resposta humanitária seja efetiva em apoiar mulheres e meninas. Isso inclui a instalação de luzes a base de energia solar, a distribuição de lâmpadas portáteis, a promoção de debates com as mulheres sobre questões como segurança e casamento infantil, o trabalho comunitário para combater a violência contra as mulheres e promover a participação dos próprios refugiados no desenvolvimento de banheiros com as características necessárias, como portas com trancas, prateleiras para manter as roupas longe do barro no chão e garantir a privacidade.

como atuamos em emergências

Sang acrescentou: “O governo de Bangladesh deve ser elogiado por permitir que o povo Rohingya busque refúgio em Cox’s Bazar. Nos juntamos a eles e a outras vozes para convencer o governo de Mianmar a discutir as políticas discriminatórias que são a causa principal dessa crise”.

Cerca de um milhão de rohingyas buscaram refúgio em Bangladesh após uma campanha militar contra eles em Mianmar, descrita por funcionários da ONU como ‘limpeza étnica’.

Saiba mais sobre a situação dos rohingya:

https://www.youtube.com/watch?v=gTlMkYMlM-0
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